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28 de dezembro, 2007 - 12h26 GMT (10h26 Brasília)

Duelo no Arizona

Primeiro de janeiro vai ser o pega pra capar no Arizona. Entra em vigor uma lei do cão contra patrões que empregam imigrantes ilegais.

Na primeira infração o certificado da empresa será suspenso. Na segunda, revogado. Nenhum estado tem uma lei tão radical. As demissões já começaram.

Num dos Estados que mais dependem dos imigrantes ilegais, o impacto da lei é imprevisível. Pode provocar uma deportação em massa, a maior desde a Operação Wetback em 1954. Ou pode quebrar o Estado.

A população é a favor da lei. Liberais, empresários, comerciantes, hoteleiros, igrejas, ONGs, são contra, mas a direita radical e o xerife Joe Arpaio conseguiram assombrar a maioria da população e não dão trégua aos latinos.

O próprio xerife se identifica como o mais malvado do país, e nomeou 160 assistentes que param carros nas ruas sob qualquer pretexto. Os latinos precisam mostrar documentos ou são presos e humilhados.

Quando um deles pergunta por que o xerife diz: por contrabando.

- Contrabando de quê?, pergunta o latino.

- De você mesmo. Você se contrabandeou para dentro deste país.

Os tribunais estão garantindo a lei estadual e os abusos do xerife. Rejeitaram todos os processos questionando a constitucionalidade da lei.

Na esquina da rua Thomas com a 35, em Phoenix, os grupos adversários se confrontam com bandas e alto falantes. Os mariachis cantam e marcham.

Os antiimigrantes gritam: atenção macacos em trânsito. Viva la
migra (serviço de imigração) Viva 1º de janeiro!

As televisões estão carregadas de dramas, confrontações e debates políticos sobre ilegais. Vão sair para outros Estados? Alguns patrões já tiraram imigrantes das folhas de pagamento e agora pagam por fora, menos e sem deduções de impostos.

É uma situação imprevisível. Algumas cidades conseguiram expulsar os ilegais sem graves conseqüências econômicas, mas nenhuma tinha os números de Phoenix.

Uma das experiências mais mal sucedidas foi a de Riverside, em Nova Jersey. Há pouco mais de um ano a Câmara Municipal aprovou uma lei que punia os patrões, semelhante à do Arizona. Foi a primeira no estado. Outros trinta municípios aprovaram leis semelhantes, mas a maioria não solta os policiais em cima dos patrões nem dos ilegais.

Em Riverside, milhares de ilegais, inclusive do Brasil, sem empregos e com medo de deportação, saíram da cidade.

Restaurantes, cafés, salões de beleza e pequenas empresas fecharam as portas. Além disto, várias organizações abriram processos contra a Câmara Municipal que já não tinha fundos sobrando e teve de gastar mais de US$ 80 mil com advogados defendendo a lei nos tribunais.

Um tiro pela culatra. Em setembro a lei foi revogada. Agora vários Estados estão com leis no gatilho à espera do que vai acontecer no dia 1º de Janeiro. Vamos ter cacos de imigrantes ilegais ou cacos de Arizona?