24 de dezembro, 2007 - 12h11 GMT (10h11 Brasília)
Guila Flint
de Tel Aviv
O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, nomeou uma comissão de ministros para rever os critérios para a libertação de prisioneiros palestinos.
A comissão, que inclui os ministros da Justiça, Exterior e Segurança Interna, deverá se reunir nesta segunda-feira em Jerusalém, para analisar maneiras de ampliar o numero de prisioneiros que poderão ser libertados em troca do soldado israelense Gilad Shalit, capturado perto da fronteira com a Faixa de Gaza há um ano e meio.
Segundo os critérios atuais, o governo de Israel se recusa a libertar prisioneiros que estiveram envolvidos direta ou indiretamente na morte de israelenses.
O ministro para Assuntos de Jerusalém, Rafi Eitan, disse que dos 11 mil palestinos detidos em prisões israelenses, "muitos se enquadram na categoria de ter as 'mãos manchadas de sangue', e nessas circunstâncias fica quase impossível negociar".
De acordo com o ministro, "é preciso mudar os critérios para fornecer instrumentos eficazes aos negociadores".
Líder do Fatah
O vice-ministro da Defesa, Matan Vilnai, afirmou que Israel não pode abandonar os soldados capturados e deve fazer todos os esforços para libertá-los.
Vilnai mencionou a possibilidade de libertação de Marwan Barguti, líder do Fatah e considerado o prisioneiro palestino mais importante que se encontra hoje em dia detido em Israel.
"Barguti foi acusado de envolvimento na morte de israelenses, mas não os matou diretamente, ele é um líder e deve ser tratado como tal", disse Vilnai.
Em 2004 Marwan Barguti foi condenado a cinco períodos de prisão perpétua.
O líder do Hamas, Mussa Abu Marzuk, baseado em Damasco, disse ao jornal El Kutz El Arabi, que o acordo para a libertação do soldado israelense "está praticamente fechado".
Segundo Abu Marzuk, Israel teria concordado em libertar 500 prisioneiros palestinos em troca do soldado e o acordo seria fechado na próxima quarta-feira, durante a reunião do ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak e o presidente egípcio Hosni Mubarak.
O Egito é o principal mediador entre Israel e o Hamas nas negociações relacionadas à libertação do soldado israelense.