21 de dezembro, 2007 - 01h29 GMT (23h29 Brasília)
A revista britânica The Economist afirma na edição publicada nesta quinta-feira que o fim da CPMF – aprovada pelo Senado brasileiro – foi a maior derrota do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em artigo chamado "O cheque volta", a revista afirma que o governo mantém uma "estranha combinação" de alta popularidade de Lula com "impotência" do governo.
Para a revista, dois fatores explicam essa combinação.
Primeiro, o fato de poucos presidentes conseguirem maioria no Congresso e de que Lula precisa usar "corporativismo" para construir uma coalizão e negociar com a oposição.
"Lula não faz nenhuma dessas coisas particularmente bem", afirma o artigo.
"Seu governo deu empregos demais para o próprio partido de Lula, o PT, e para o maior aliado, o PMDB, um partido gelatinoso cuja filosofia principal é rastejar em direção ao poder e depois exigir recompensas pelo seu apoio."
O segundo fator que, segundo a revista, explica a combinação de "popularidade e impotência" do governo é a expansão da economia e da arrecadação, "que faz o argumento em favor de mais impostos ficar mais difícil".
Para a revista, o fim da CPMF "é uma perda, mas não é um desastre para o governo".
No entanto, a decisão poderia fazer com que investidores internacionais desistissem de elevar o grau de investimento dos papéis
da dívida do Brasil.