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14 de dezembro, 2007 - 09h28 GMT (07h28 Brasília)

Senado barra imposto-chave para planos sociais de Lula, diz 'Clarín'

Reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal argentino Clarín diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve sua primeira derrota séria na madrugada do dia anterior, quando o Senado rejeitou a prorrogação da CPMF, “um imposto-chave para os planos sociais” do presidente.

“São quase US$ 24 bilhões que deixarão de entrar nos cofres públicos a partir do próximo ano”, relata o jornal.

A reportagem comenta que “apesar de a oposição ter festejado em princípio, com o passar das horas os analistas concordavam: ‘Foi uma vitória pírrica’”.

“É que a medida obrigará o reforço da austeridade fiscal não só do governo federal, mas também de dois grandes Estados brasileiros, São Paulo e Minas Gerais, governados respectivamente por José Serra e Aécio Neves. Ambos são candidatos a suceder Lula daqui a 3 anos”, explica o jornal.

O Clarín observa ainda que “a taxa foi criada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso”, que foi, entretanto, “quem mais combateu a prorrogação do imposto por outros quatro anos”.

Maior derrota de Lula

O diário espanhol El País, em sua versão online, diz que a derrota na votação do imposto sobre transações financeiras foi “a maior derrota política de Lula desde que assumiu a Presidência, em 2003”.

A reportagem comenta que “o governo Lula, apoiado por 13 partidos, tinha os votos suficientes para derrotar a oposição e aprovar a prorrogação, mas sete dos senadores da base do governo se uniram à oposição e se mantiveram irredutíveis, apesar das mil promessas e ofertas de todo tipo que choveram sobre eles”.

“Lula fez de tudo para salvar a continuidade da CPMF. Mobilizou todo o governo, pressionou aos governadores dos partidos de oposição para que pressionassem os senadores. Inclusive chegou a pedir ajuda à própria oposição”, relata o texto.

A reportagem conclui dizendo que “para os analistas, o mais positivo da derrota de Lula no Congresso é que se demonstrou que a oposição, que parecia esmagada pela alta popularidade do presidente, se revelou mais forte do que parecia, inclusive capaz de vencer batalhas”.

Queda na confiança

O diário britânico Financial Times também voltou a comentar a derrota de Lula em sua versão online, dizendo que ela “tornará mais difícil ao governo atingir suas metas fiscais e deve provocar uma queda na confiança dos investidores”.

A reportagem comenta que o fim da CPMF provocou uma forte queda na Bovespa e no valor do real, mas diz que “o verdadeiro significado da derrota é que expõe sérias falhas no manejo político do governo”.

Segundo o FT, “o governo agora precisa encontrar maneiras de se manter sem a CPMF”.

“Ele deve aumentar outros impostos, reduzir gastos com folha de pagamento e investimentos e reduzir seu superávit primário, apesar de não abaixo de sua meta de 3,8% do Produto Interno Bruto”, diz a reportagem.