13 de dezembro, 2007 - 08h09 GMT (06h09 Brasília)
Claudia Jardim
De Caracas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à Venezuela nesta quinta-feira para um encontro que está sendo considerado pelo governo venezuelano como o "relançamento das relações políticas" entre Brasil e Venezuela, mas com indefinições sobre os principais projetos de cooperação energética.
A poucas horas da chegada do presidente à Caracas, não estava claro se o contrato de constituição da empresa mista entre a Petrobras e a estatal petrolífera PDVSA na faixa do rio Orinoco e o projeto de construção de uma refinaria em Pernambuco entrarão no pacote de acordos que deverão ser assinados nesta quinta-feira.
A visita de Lula é interpretada pelo governo da Venezuela como "um importante passo de reaproximação e de relançamento das relações políticas e comerciais", disse uma fonte da chancelaria venezuelana à BBC Brasil.
Esse é o primeiro encontro entre Lula e Chávez após o acordo estabelecido em Manaus, em setembro, quando se definiu que a cada três meses os mandatários se reuniriam para discutir temas bilaterais.
O encontro em Manaus ocorreu depois de uma série de divergências públicas entre os presidentes, relacionadas principalmente à entrada da Venezuela no Mercosul.
A adesão depende da aprovação dos Congressos brasileiro e paraguaio.
Farc
Um dos temas que devem ser tratados na reunião bilateral é uma possível mediação de Lula no acordo humanitário que prevê a libertação dos reféns sob poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colombia (FARC).
Entre os seqüestrados está a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt.
O presidente Lula ofereceu ajuda ao governo colombiano para retomar as negociações para a libertação dos reféns que foram interrompidas após a saída de Chávez como mediador junto às Farc.
Ao "dar por encerrada" a mediação de Chávez, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, alegou que seu colega venezuelano desrespeitou um acordo entre os dois segundo o qual ele não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar.
Na véspera da visita de Lula à Venezuela, a chancelaria venezuelana chegou a indicar que, após discutir o tema com Chávez, o presidente brasileiro seguiria viagem à Bogotá para tratar da libertação dos reféns com Uribe.
A viagem à Colombia não foi confirmada pelo Itamaraty.
Equilíbrio comercial
Lula chega à Caracas às 9h30 (12h de Brasília). Ele deverá firmar oito acordos de cooperação com seu colega venezuelano nas áreas de agricultura e desenvolvimento industrial.
Os presidentes deverão anunciar a criação de um escritório da Embrapa na Venezuela, prevista para o início do próximo ano.
A agricultura é um dos pontos mais frágeis do campo produtivo venezuelano. O país, quinto maior exportador mundial de petróleo, importa 70% dos alimentos consumidos internamente.
No campo industrial, os venezuelanos pretendem contar com a cooperação brasileira para o desenvolvimento industrial, o que, de acordo com o governo da Venezuela, poderia minimizar a médio e longo prazo o déficit na balança comercial com os demais países da região.
Só o Brasil acumulou em 11 meses um superávit de US$ 3,9 bilhões no intercâmbio comercial com a Venezuela.
Entre janeiro e outubro deste ano, as exportações brasileiras para a Venezuela chegaram a US$ 3,8 bilhões. Nesse mesmo período,
as vendas venezuelanas ao Brasil não superaram US$ 296 milhões.