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12 de dezembro, 2007 - 06h11 GMT (04h11 Brasília)

Eric Brücher Camara
Enviado especial a Bali (Indonésia)

Ministros chegam a Bali para fase final de reunião sobre clima

Nesta quarta-feira, o segmento ministerial, que é a última parte da reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre mudança climática em Bali, na Indonésia, começa com um problema a menos para o Brasil: a questão do desmatamento.

Embora a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ainda vá ter que discutir uma proposta do governo de Papua Nova Guiné, que quer incluir uma referência a ações imediatas e vincular isso a futuras decisões, na terça-feira, foi aprovado um texto preliminar que abre caminho para o desenvolvimento dos chamados mecanismos REDD.

A idéia dos REDD – sigla para Redução das Emissões de Desmatamento e Degradação – é que os países ricos recompensem as nações em desenvolvimento pela diminuição na destruição de suas florestas. A forma dessa compensação, outra questão polêmica, deve ser discutida ao longo dos próximos anos.

Há quem defenda a emissão de créditos de carbono para serem vendidos no mercado, mas o Brasil, por exemplo, defende a criação de um fundo voluntário com verbas provenientes dos países ricos que seria aplicado à discrição de cada país.

Degradação

A grande desavença entre o governo brasileiro e a maior parte dos outros países em desenvolvimento girava em torno da degradação, um termo técnico para a destruição parcial das matas.

O problema é que os cientistas ainda não desenvolveram métodos precisos para calcular esse tipo de dano, o que dificulta a avaliação sobre se houve redução ou não.

Outro ponto de atrito entre os participantes do grupo de trabalho era a inclusão de uma menção à conservação das florestas, que na opinião brasileira desvirtuava o princípio de tratar apenas da redução de desmatamento, não de desmatamento evitado ou conservação de florestas.

A delegação brasileira flexibilizou sua posição nesta semana e aceitou que se faça menções no texto final de Bali sobre a degradação e sobre a criação de créditos no mercado de carbono para combater o desmatamento. Isso não significa que o país mudou suas posições, mas aceita continuar a discutir e buscar acordo esses pontos.

O secretário-executivo da reunião de Bali, Yvo de Boer, aparentava satisfação ao anunciar o acordo na terça-feira.

Segundo ele, ficou faltando apenas decidir o que fazer com a questão da conservação, que "deve ser discutida pelos ministros".

Para os observadores da reunião, o assunto parece ter fluído melhor depois da flexibilização da postura brasileira.

Nesta quarta-feira, a fase ministerial do encontro em Bali foi aberta por discursos do presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, e do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon.

Do lado de fora, organizações ambientalistas fizeram manifestações por um avanço mais ágil das negociações, que, na opinião dos ambientalistas, andou "a passo de lesma" nos últimos dois dias.

Clique aqui para ler mais sobre as manifestações das ONGs.