10 de dezembro, 2007 - 13h17 GMT (11h17 Brasília)
O banco de investimento suíço UBS anunciou nesta segunda-feira uma baixa contábil de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 17,6 bilhões) em conseqüência da crise no mercado de crédito imobiliário nos Estados Unidos.
O anúncio da desvalorização dos ativos do UBS alimenta os temores de um alastramento da crise no mercado de crédito imobiliário de alto risco ('subprime') nos Estados Unidos.
A instituição suíça é a mais afetada pela crise no mercado imobiliário americano. O banco alertou seus investidores de que pode terminar o ano no vermelho.
O UBS já havia anunciado prejuízo no terceiro trimestre, a exemplo do Merrill Lynch. Já o Citigroup anunciou uma queda de quase 60% no seu lucro do período.
Outras instituições financeiras, como HSBC e Swiss Re, também se disseram afetadas pela crise, que poderia custar às instituições financeiras até US$ 400 bilhões, em uma estimativa do banco de investimento Goldman Sachs.
A notícia sobre as perdas do banco suíço foi compensada nesta segunda-feira pelo anúncio de que o UBS receberá uma injeção de capital de US$ 9,7 bilhões da Corporação de Investimentos do Governo de Cingapura, além de US$ 1,7 bilhão de um investidor do Oriente Médio não revelado, supostamente o governo de Omã.
O editor de Economia da BBC Robert Peston disse que a injeção de capital é um retrato da situação no mercado financeiro atual.
"É mais uma evidência da transferência de poder financeiro das economias do Ocidente para as economias geradoras de recursos da Ásia, Rússia e Oriente Médio, que estão em condições de ditar os termos propostos a instituições importantes", ele afirmou.
No fim de novembro, o Citigroup anunciou uma injeção de capital de US$ 7,5 bilhões do emirado de Abu Dhabi, levantando questionamentos
sobre a solidez da instituição financeira frente à crise de mercado imobiliário americano.