Começou nesta segunda-feira, em um quartel de polícia em Lima, o julgamento do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000.
Fujimori, de 69 anos, está sendo julgado pelo seu suposto envolvimento na morte de 25 pessoas e no seqüestro de dois opositores durante seu governo.
O ex-presidente, que nega as acusações, pode pegar até 30 anos de prisão se for considerado culpado.
Algumas pesquisas de opinião mostram que o apoio a ele cresceu desde que ele foi extraditado do Chile para o Peru, em setembro.
Esquadrão da morte
Os crimes de que Fujimori é acusado neste processo ocorreram nos seus primeiros anos de governo.
Em 1991, um esquadrão da morte conhecido como La Colina invadiu um churrasco em um subúrbio pobre de Lima e matou 15 pessoas.
No ano seguinte, eles seqüestraram nove estudantes e um professor universitário, que foram executados sumariamente.
Há suspeitas de que o esquadrão agiu sob comando direto de Fujimori.
O ex-presidente também teria pedido a prisão e o interrogatório ilegais de um empresário e um jornalista em 1992.
Ao vivo
Fujimori deixou o Peru em 2000, após ser acusado de envolvimento em um caso de corrupção.
Alguns peruanos acreditam ser injusto que Fujimori seja tratado como criminoso, já que, segundo eles, o ex-presidente transformou a economia e derrotou o grupo guerrilheiro maoísta Sendero Luminoso.
Outros alegam que ele usou o estado de emergência para justificar seu governo repressivo e roubou milhões de dólares do país.
O julgamento será transmitido ao vivo pela televisão, e a expectativa é de que dure vários meses.
Nesta terça-feira, Fujimori deve receber a sentença relacionada a um outro processo, em que ele é acusado de abuso de poder por ter determinado uma batida ilegal na casa da mulher do ex-assessor Vladimiro Montesinos. Nesse caso, o ex-presidente pode ser condenado a até sete anos de prisão.
Fujimori também deve responder a outros julgamentos, ainda sem data marcada, por crimes de corrupção.