10 de dezembro, 2007 - 15h22 GMT (13h22 Brasília)
Um porta-voz do governo de Kosovo anunciou nesta segunda-feira que a Província irá declarar a independência da Sérvia “muito antes” da data prevista, em maio.
Segundo Skender Hyseni, “Kosovo vai seguir sua própria agenda, mas a proclamação certamente virá muito antes”. Para ele, a independência é apenas uma questão de “datas”.
A declaração foi feita no dia em que vence o prazo estabelecido pela ONU para que líderes sérvios e de Kosovo chegassem a um acordo, com a mediação de União Européia, Rússia e Estados Unidos, sobre o futuro da Província.
Na sexta-feira, os mediadores emitiram um relatório no qual afirmam que “nenhuma das partes está disposta a abrir mão de sua posição sobre a questão fundamental da soberania em Kosovo”.
A Província da Sérvia está sob administração da ONU há oito anos. Majoritários, os albaneses de Kosovo exigem a independência, mas a minoria sérvia da região e o governo de Belgrado rejeitam este pedido.
Europeus
Nesta segunda-feira, ministros da União Européia estão reunidos em Bruxelas para tentar chegar a um acordo antes de uma reunião de líderes dos países do bloco, marcada para a próxima sexta-feira.
Antes do encontro desta segunda-feira em Bruxelas, o Ministro das Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, afirmou que os países do bloco estavam próximos de um consenso sobre a independência de Kosovo.
Alguns países, como Grécia, Eslováquia e Espanha, estão hesitantes em reconhecer uma declaração unilateral de independência por receio de que a decisão possa abrir precedentes para movimentos separatistas na região. Por sua vez, Chipre já manifestou sua oposição à independência da Província.
A Rússia, aliado histórico da Sérvia, já afirmou que também é contra. Segundo o Ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, se unilateral, a independência poderia “criar uma reação em cadeia nos países dos Bálcãs e em outras regiões do mundo”.
Por outro lado, os líderes albaneses de Kosovo contam com o apoio de vários países europeus e dos Estados Unidos.
Plano
Em abril, o enviado especial da ONU ao Kosovo, Martti Ahtissari, apresentou um plano que oferecia ao Kosovo uma “independência supervisionada”.
Segundo o plano, aceito pelos albaneses da Província, agências internacionais levariam o Kosovo à independência total e à inclusão na ONU.
O governo da Sérvia rejeitou a proposta, insistindo que Kosovo deve permanecer como uma parte integrante do país.
Temendo uma reação da população sérvia da Província e possíveis confrontos, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar de defesa ocidental) afirmou que vai manter as 16 mil tropas em Kosovo.
Na capital de Kosovo, Pristina, estudantes albaneses prometeram fazer uma marcha da universidade local até o parlamento regional para demonstrar apoio à independência.
A crise em Kosovo ganhou destaque na segunda metade dos anos 90, quando o então presidente sérvio, Slobodan Milosevic, lançou uma brutal repressão ao Exército para a Libertação de Kosovo (ELK), braço armado da causa separatista.
As forças de segurança da Sérvia foram retiradas da Província por uma invasão da Otan em 1999.