10 de dezembro, 2007 - 23h04 GMT (21h04 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
No seu primeiro discurso como presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner fez referência à Venezuela como país importante para integrar o Mercosul e criticou o Uruguai e a Inglaterra, ao pedir a “soberania” das Ilhas Malvinas (também conhecidas como Falklands).
“A América Latina, que também tem nome de mulher, é nossa casa. O Mercosul é nosso espaço e espero que a Venezuela seja incorporada (ao bloco) para fecharmos a equação da energia na América Latina. Alimentos e energia serão as chaves de um futuro que já está na porta”, disse.
Cristina Kirchner agradeceu a presença do presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, à cerimônia de posse presidencial. Ele foi o único presidente ausente na véspera, na assinatura de criação do Banco do Sul, que contou com a presença de seis presidentes, entre eles Luiz Inácio Lula da Silva.
Sete países integram a nova entidade financeira regional, entre eles o Uruguai.
Fábrica
Nesta segunda-feira, diante da platéia de convidados no Congresso Nacional, Cristina Kirchner disse: “Nós apresentamos uma apelação à Corte Internacional da Haia porque foi violado o tratado do rio Uruguai, com a construção de uma fábrica de celulose. Mas o conflito é este (...), e os uruguaios são nossos irmãos”.
A fábrica de pasta de celulose Botnia, com capital da Finlândia, foi construída na localidade uruguaia de Fray Bentos, às margens do rio Uruguai, e provocou uma discórdia que se arrasta há cerca de dois anos entre os dois países.
Segundo autoridades do governo uruguaio, Vázquez preferiu passar poucas horas em Buenos Aires, temendo protestos.
A presidente argentina disse ainda que seu país “não abrirá mão” da soberania sobre as Ilhas Malvinas.
Ela foi aplaudida ao recordar o arquipélago localizado no Atlântico Sul - motivo de uma guerra entre Argentina e Inglaterra em 1982, quando os argentinos foram derrotados pelos ingleses.
“Quero reafirmar nosso reclamo à soberania sobre as Ilhas Malvinas”, afirmou. “Alertamos ao país ocupante (das Ilhas Malvinas), que em todos os fóruns internacionais aparece como respeitoso, que há uma situação de território colonial denunciada diante das Nações Unidas. E que é hora de cumprir (o pedido argentino) através destas mesmas Nações Unidas de que todos formamos parte.”