08 de dezembro, 2007 - 10h23 GMT (08h23 Brasília)
O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, confirmou que o governo do país está preparado para libertar guerrilheiros detidos em troca de reféns mantidos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
Em entrevista à BBC, Santos afirmou que estaria pronto para iniciar o processo assim que obtiver uma resposta do grupo rebelde.
"O governo colombiano está fazendo um novo esforço para ver se conseguimos libertar os reféns e devolvê-los a suas famílias depois de tantos anos", disse.
Horas antes da entrevista, na sexta-feira, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciou que concordou em criar uma "zona de encontro", com cerca de 150 km² e em qualquer lugar do país, para realizar as negociações com as Farc.
Recompensas
"O lugar deve ser, de preferência, rural e com pouca população", disse Uribe, em discurso transmitido ao vivo pela televisão do país. "Mas este lugar deverá ter a presença de observadores internacionais."
Ele anunciou ainda que foi criado um fundo de US$ 100 milhões, ligado ao Ministério da Defesa, para o pagamento de recompensas aos guerrilheiros que entreguem às autoridades as pessoas em cativeiro.
Uribe afirmou que todos os participantes do encontro devem estar desarmados e destacou que já deu a autorização para que o Alto Comissário para a Paz, Luís Carlos Restrepo, e a Comissão de Conciliação Nacional busquem de maneira "urgente" a reunião com as Farc.
Antes do anúncio, Uribe consultou o governo francês, os chefes militares da Colômbia e o próprio ministro da Defesa.
'Guinada'
Segundo a rádio Caracol, de Bogotá, a decisão de Uribe de aceitar um lugar para se encontrar com as Farc representa uma "guinada de 180 graus".
Estima-se que as Farc mantêm 750 pessoas como reféns, entre elas a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, seqüestrada há seis anos. Na sexta-feira passada, uma foto de Ingrid na selva foi divulgada.
Após a divulgação da foto, a mãe de Ingrid, Yolanda Pulecio, pediu a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações para libertá-la.
Recentemente, Uribe afastou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do processo de mediação com as Farc – o que levou a uma troca de farpas entre os dois chefes de Estado.
A decisão do líder colombiano ocorre um dia depois de o presidente da França, Nicolas Sarkozy, fazer um apelo em que pedia a libertação de Ingrid e outros reféns antes do Natal.
Nos últimos dias, os colombianos se comoveram com a decisão de uma guerrilheira - conhecida apenas como "a Negra" - de entregar um menino de quatro anos que havia sido seqüestrado há seis meses pelo grupo.