07 de dezembro, 2007 - 20h34 GMT (18h34 Brasília)
Soldados afegãos e de países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) iniciaram uma grande ofensiva para conquistar a única cidade de maior destaque no Afeganistão que ainda está sob o controle da milícia Talebã, que governou o país até 2001.
A cidade de Musa Qala, que foi tomada pelo Talebã em fevereiro, é considerada um ponto estratégico na Província de Helmand, no sul afegão.
Durante todo o dia, os soldados britânicos e afegãos realizaram operações terrestres na cidade. Eles chegaram a Musa Qala vindos de três lados e houve pesada troca de disparos.
Mas o ataque principal começou a ser feito por soldados americanos com helicópteros uma hora antes do anoitecer.
O Talebã afirma que tem mais de dois mil combatentes prontos para defender a cidade e que estão conseguindo manter suas posições.
A expectativa é de que os combates continuem durante toda a noite e no sábado.
Civis
As operações em Musa Qala visam deixar corredores abertos para que os moradores civis possam fugir. Mas muitos ficaram na cidade, pois não querem enfrentar o frio da noite no deserto próximo, conhecido como Deserto da Morte.
Segundo o correspondente da BBC no Afeganistão David Loyn, desde que o Talebã tomou o controle sobre Musa Qala, a cidade tem sido considerado o principal centro de comércio de drogas no Afeganistão e assumiu uma importância simbólica para os dois lados.
"Musa Qala se transformou numa ferramenta de propaganda. Portanto é importante para a opinião pública. É uma base importante do inimigo e muitos militantes estrangeiros se reuniram aqui. Limpar Musa Qala é uma parte da grande operação que lançamos no norte de Helmand", disse o porta-voz do Ministério da Defesa afegão, general Mohammad Zahir Azimi.
Em 2006, a cidade foi o palco de vários meses de combates intensos entre tropas internacionais e insurgentes ligados ao Talebã.
Em outubro do ano passado, os soldados britânicos se retiraram de Musa Qala depois de fecharem um acordo segundo o qual os
líderes locais se comprometiam a manter o Talebã fora da cidade, mas os milicianos voltaram em fevereiro.