07 de dezembro, 2007 - 19h44 GMT (17h44 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
O presidente colombiano, Álvaro Uribe, aceitou nesta sexta-feira iniciar um diálogo com os rebeldes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) para a libertação dos seqüestrados pela guerrilha.
Uribe concordou em criar uma "zona de encontro", com cerca de 150 km² e em qualquer lugar do país, para realizar as negociações com os rebeldes.
"O lugar deve ser, de preferência, rural e com pouca população", disse. "Mas este lugar deverá ter a presença de observadores internacionais."
A proposta para o encontro foi apresentada pela Igreja Católica em nome da Comissão Nacional de Conciliação, de acordo com o presidente colombiano.
Em seu discurso, transmitido ao vivo pela televisão do país, Uribe afirmou ainda que foi criado um fundo de US$ 100 milhões, ligado ao Ministério da Defesa, para o pagamento de recompensas aos guerrilheiros que entreguem às autoridades as pessoas em cativeiro.
França
Uribe afirmou que todos os participantes do encontro devem estar desarmados e destacou que já deu a autorização para que o Alto Comissário para a Paz, Luís Carlos Restrepo, e a Comissão de Conciliação Nacional busquem de maneira "urgente" a reunião com as Farc.
Antes do anúncio, Uribe consultou o governo francês, os chefes militares da Colômbia e o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos.
Segundo a rádio Caracol, de Bogotá, a decisão de Uribe de aceitar um lugar para se encontrar com as Farc representa uma "guinada de 180 graus".
Estima-se que as Farc mantêm 750 pessoas como reféns, entre elas a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, seqüestrada há seis anos. Na sexta-feira passada, uma foto de Ingrid na selva foi divulgada.
Após a divulgação da foto, a mãe de Ingrid, Yolanda Pulecio, pediu a ajuda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações para libertá-la.
Recentemente, Uribe afastou o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, do processo de mediação com as Farc – o que levou a uma troca de farpas entre os dois chefes de Estado.
A decisão do líder colombiano ocorre um dia depois de o presidente da França, Nicolas Sarkozy, fazer um apelo em que pedia a libertação de Ingrid e outros reféns antes do Natal.
Nos últimos dias, os colombianos se comoveram com a decisão de uma guerrilheira - conhecida apenas como "a Negra" - de entregar um menino de quatro anos que havia sido seqüestrado há seis meses pelo grupo guerrilheiro.