06 de dezembro, 2007 - 05h11 GMT (03h11 Brasília)
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, fez um apelo direto ao líder do grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Manuel Marulanda, para que liberte a senadora e ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, que tem nacionalidade colombiana e francesa.
"Eu tenho um sonho: o de ver Ingrid reunida com sua família neste Natal", disse o presidente francês, em uma mensagem transmitida pela TV na madrugada desta quinta-feira (pelo horário local).
"Peço-lhe, solenemente, que liberte Ingrid Betancourt e não carregue em sua consciência o risco que sua morte traria", disse Sarkozy, dirigindo-se a Marulanda.
Ao falar sobre Betancourt, o presidente francês disse: "Está se apagando a chama desta mulher cuja energia, audácia e coragem provocaram admiração em todos os que a conheceram".
Vídeo
A senadora foi seqüestrada em 2002, durante a campanha eleitoral para a Presidência da Colômbia.
Na semana passada, o governo colombiano divulgou um vídeo encontrado com rebeldes capturados que traz provas de vida de Betancourt e de outros reféns em poder das Farc.
Depois de assistir às imagens, em que Betancourt aparecia magra e com expressão triste, Sarkozy prometeu redobrar seus esforços para libertar a senadora.
Um dia após o vídeo ter sido mostrado, foi divulgada uma carta de Betancourt a sua mãe. No texto, a senadora dizia que sua força havia diminuido, que não tinha mais apetite e que seu cabelo estava caindo.
"Aqui, estamos vivendo como os mortos", escreveu Betancourt.
Mediação
No final de novembro, o governo colombiano pôs fim à mediação exercida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com as Farc na busca de um acordo humanitário que permitisse que 45 reféns (entre eles Betancourt) fossem soltos em troca da libertação de cerca de 500 integrantes do grupo guerrilheiro que estão presos.
A mediação de Chávez, iniciada em agosto, tinha apoio de familiares dos reféns, mas foi encerrada pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, sob a alegação de que o líder venezuelano havia desrespeitando um acordo entre os dois, segundo o qual não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar colombiano.
O fim da atuação de Chávez - que desencadeou uma crise diplomática entre a Venezuela e a Colômbia - foi lamentado por Sarkozy.
Na terça-feira, o governo colombiano já havia anunciado que buscaria o apoio do presidente francês nas negociações com as Farc.