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03 de dezembro, 2007 - 11h40 GMT (09h40 Brasília)

Observadores dizem que eleições russas 'não foram justas'

Observadores internacionais disseram que as eleições parlamentares do último domingo na Rússia, vencidas pelo partido do presidente Vladimir Putin, "não foram justas".

A declaração foi feita nesta segunda-feira, em Moscou, por uma equipe da Organização pela Segurança e Cooperação na Europa (OSCE, na sigla em inglês) e do Conselho da Europa.

Numa entrevista à imprensa, os observadores disseram que as eleições russas "não cumpriram diversos compromissos e padrões estabelecidos pela OSCE e pelo Conselho da Europa para eleições democráticas".

Segundo a equipe, o pleito "aconteceu numa atmosfera que limitava gravemente a competição política" e "não havia um ambiente político uniforme" no país.

Com mais de 98% dos votos apurados, o partido do presidente Vladimir Putin, o Rússia Unida, tinha 64,1% dos votos.

A OSCE enviou à Rússia um grupo de observadores menor que o planejado inicialmente, acusando Moscou de postergar a emissão de vistos e causar dificuldades.

No fim, 330 funcionários das duas organizações monitoraram o pleito em mais de 100 mil zonas eleitorais.

Resultado contestado

Segundo a comissão eleitoral, o comparecimento às urnas foi alto, com participação de mais de 60% dos eleitores russos.

Além do partido Rússia Unida, de Putin, o partido Comunista, de oposição, teria conseguido garantir os votos necessários para ingressar na Duma, a câmara baixa do Parlamento russo.

Outras duas siglas - o Rússia Justa e o Partido Liberal Democrata - aliadas de Putin, também devem assegurar a entrada na Duma, que exige um mínimo de 7% dos votos.

O Partido Comunista afirmou que vai contestar o resultado das eleições e decide, em reunião nesta segunda-feira, se vai boicotar o novo parlamento.

"Não confiamos nos resultados anunciados pela comissão eleitoral e vamos conduzir uma contagem paralela", afirmou o líder do Partido Comunista, Gennady Zyuganov.

Zyuganov já havia comentado que as eleições deste domingo foram as menos democráticas realizadas no país desde o fim da União Soviética.

Em Washington, um porta-voz da Casa Branca disse que as autoridades russas deveriam investigar as alegações de fraude.

O órgão independente de monitoramento Golos disse que recebeu queixas de fraudes em todas as partes do país.

Já o diretor da comissão eleitoral da Rússia, Vladimir Churov, disse que não houve irregularidades na votação.

O líder do Rússia Unida, Boris Gryzlov, admitiu que houve algumas irregularidades, mas disse que elas não devem influenciar o resultado.

O futuro de Putin

O presidente russo havia afirmado que um resultado positivo nas eleições iria garantir seu poder político depois que o mandato presidencial chegasse ao fim, no próximo ano.

Putin é obrigado pela constituição a deixar a Presidência em março, no fim de seu segundo mandato, mas ele tem indicado que pode se candidatar ao cargo de primeiro-ministro no ano que vem.

Entenda as eleições parlamentares na Rússia