03 de dezembro, 2007 - 09h01 GMT (07h01 Brasília)
A ex-primeira dama e senadora americana Hillary Clinton, pré-candidata presidencial, disse em entrevista publicada nesta segunda-feira pelo diário britânico Financial Times que questionará a decisão de retomar as negociações comerciais globais para a Rodada Doha caso seja eleita presidente.
“A sra. Clinton disse acreditar que as teorias sob as quais se baseia o livre comércio podem não se justificar mais na era da globalização”, diz a reportagem, observando ainda que ela anteriormente já havia defendido que os Estados Unidos “dessem um tempo” nas negociações da Rodada Doha.
“Eu concordo com Paul Samuelson, o famoso economista, que recentemente disse e escreveu sobre como as vantagens comparativas, como entendidas classicamente, podem não ser mais descritivas da economia do século 21 na qual nos encontramos”, disse a ex-primeira-dama ao Financial Times.
Hillary disse querer “uma política comercial mais abrangente e pensada para o século 21”. “Não há nada de protecionista nisso. É uma direção responsável. A alternativa é simplesmente continuar a partir de onde o presidente Bush parou, e isso não é uma opção”, afirmou ela ao jornal.
Momento crítico
O Financial Times comenta que as declarações de Hillary foram feitas em meio a “um momento crítico na corrida presidencial no Partido Democrata, que tem visto um crescente ceticismo entre os candidatos e suas bases de apoio sobre os benefícios de uma economia global aberta”.
O jornal relata que ela já pediu uma revisão de todos os tratados comerciais firmados pelos Estados Unidos, incluindo o Nafta (Tratado de Livre-Comércio da América do Norte), fechado em 1993, durante o governo de seu marido, Bill Clinton.
“A sra. Clinton também atacou os acordos comerciais que não incluem provisões para proteger trabalhadores e que não estabelecem padrões ambientais mais altos”, diz a reportagem.
Para o jornal, as declarações de Hillary “devem reforçar as expectativas de que a política comercial dos Estados Unidos mude de rumo se um candidato democrata chegar à Casa Branca no ano que vem”.