29 de novembro, 2007 - 09h51 GMT (07h51 Brasília)
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, foi empossado nesta quinta-feira para um segundo mandato no cargo, desta vez como chefe de Estado civil.
Musharraf prestou juramento durante a cerimônia de posse realizada no palácio presidencial em Islamabad, pedindo "reconciliação política" no Paquistão.
Musharraf, que deve se dirigir à nação nesta quinta-feira em pronunciamento transmitido pela televisão, não disse quando suspenderá o estado de emergência, decretado em 3 de novembro.
Na quarta-feira, o presidente deixou o comando das Forças Armadas, encerrando oito anos de poder militar no país e abrindo caminho para ser empossado como civil.
Ele foi eleito para um segundo mandato de cinco anos nas eleições indiretas de 6 de outubro, mas a legitimidade de sua candidatura havia sido altamente contestada.
Democracia
Durante a cerimônia, Musharraf vestiu um terno em vez da tradicional farda. Depois de prestar o juramento, disse que “ia quebrar a convenção e dar sua opinião sobre a situação atual do Paquistão”.
O presidente, que tomou o poder em um golpe de estado em 1999, disse que dava as boas-vindas aos líderes da oposição - a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto e o ex-premiê Nawaz Sharif - que retornaram ao país após anos no exílio.
“Pessoalmente, eu acho que isto é bom para a reconciliação política”, disse.
Musharraf ainda garantiu que as eleições parlamentares marcadas para o dia 8 de janeiro ocorrerão como planejado.
“As eleições não serão sabotadas”, disse o presidente, acrescentado que o pleito será aberto a observadores internacionais.
Apesar de terem apresentado suas candidaturas, Bhutto e Sharif ameaçam boicotar as eleições se o presidente não suspender o estado de exceção.
Musharraf ainda afirmou ser a favor da democracia e dos direitos humanos, mas disse que o país fará “democracia do seu jeito e no seu tempo”.
“Nós entendemos nossa sociedade, melhor do que qualquer um no Ocidente”, disse.
Protestos
A cerimônia de posse foi conduzida pelo juiz da Suprema Corte, Abdul Hamid Dogar, que substituiu o ex-chefe do Supremo Itfikhar Chaudhry, afastado do cargo depois que Musharraf decretou o estado de emergência.
Na opinião de observadores políticos, o presidente impôs restrições ao país por avaliar que a Suprema Corte estava prestes a emitir uma decisão contrária à sua reeleição.
Musharraf substituiu vários juízes da corte, que, recomposta, acabou rejeitando todas as ações legais contra a candidatura de Musharraf, confirmando, na semana passada, sua reeleição.
Além de ter feito mudanças na corte, o presidente também introduziu emendas na Constituição do Paquistão para prevenir futuras ações legais contra suas decisões.
A posse de Musharraf gerou protestos em algumas áreas do país. Na cidade de Lahore, a polícia entrou em choque com advogados que protestavam contra o governo.