28 de novembro, 2007 - 21h37 GMT (19h37 Brasília)
Claudia Jardim
De Caracas
Na reta final da campanha do referendo sobre as mudanças constitucionais na Venezuela, a oposição, que até agora estava dividida, se uniu para tentar garantir a derrota do presidente Hugo Chávez.
Nesta quarta-feira, o partido Ação Democrática (AD) – que vinha liderando um dos setores da oposição e até agora pedia a seus partidários que se abstivessem da votação do próximo domingo – mudou de idéia e convocou os militantes a ir às urnas e votar contra as reformas.
Com isso, a AD se uniu à frente formada pelos partidos emergentes Primeiro Justiça (centro-direita) e Um Novo Tempo (social-democrata), que vêm fazendo campanha pelo "não" às propostas defendidas pelo governo.
"A tendência à favor do não e a disposição das pessoas em defender seu triunfo dentro e fora das mesas (de votação) é uma questão que não se discute", afirmou Henry Ramos Allup, dirigente do AD, em uma coletiva em que justificou a decisão do seu partido.
Pesquisas
As últimas pesquisas de intenção de voto apontam desde um empate técnico a uma possível derrota do governo no referendo.
Uma das pesquisas, divulgada pela empresa Hinterlaces, indica que 46% dos eleitores votariam contra a reforma e 45% votariam a favor. Do total de pessoas entrevistadas, 9% ainda estavam indecisas.
Outra sondagem, divulgada pelo Instituto Datanalisis, apontava uma vitória do "não" com 44,6% das intenções de voto contra 30,8% dos que votariam pelo "sim", enquanto 11% se disseram indecisos.
Analistas e institutos de pesquisa dizem que a divisão da oposição favoreceria o governo no resultado final.
Esta é primeira vez que o lado defendido por Chávez não chega às urnas com uma ampla vantagem sobre a oposição – o presidente saiu vitorioso nas nove votações anteriores, entre referendos e eleições normais.
Abstenção
Chávez desqualifica as pesquisas e afirma que se trata de um plano de "manipulação" para permitir que a oposição alegue fraude "quando perderem, porque vão perder o referendo", disse.
O líder venezuelano tomou à frente da campanha nesta semana, realizando uma média de três atos públicos diários, em uma tentativa de vencer o que considera o principal inimigo do governo: a abstenção chavista.
"Que ninguém fique sem votar", repetiu Chávez, nesta quarta-feira, em um ato público.
No referendo convocado para aprovar a atual Constituição, em 1999, apenas 44% da população foi às urnas.
Nos últimos dias, o presidente venezuelano tem pedido o voto no plebiscito afirmando que "quem vota sim, vota por Chávez, quem vota não, vota contra Chávez e contra a revolução".