28 de novembro, 2007 - 06h55 GMT (04h55 Brasília)
O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, deixou nesta quarta-feira o comando das Forças Armadas do país.
Em uma cerimônia militar realizada na cidade de Rawalpindi, que abriga os quartéis-generais do Exército paquistanês, o general Musharraf passou o comando ao general Ashfaq Pervez Kiyani, ex-chefe do serviço de inteligência, que havia sido escolhido para o cargo em outubro.
O presidente paquistanês vinha enfrentando forte pressão doméstica e internacional para renunciar ao comando das Forças Armadas.
Nesta quinta-feira, Musharraf deverá ser empossado em um novo mandato, desta vez como um presidente civil, encerrando oito anos de poder militar no Paquistão.
Musharraf tomou o poder em 1999, em um golpe de Estado.
Cerimônia
O presidente chegou ao local da cerimônia vestindo seu traje militar completo.
Em seu discurso de despedida, Musharraf disse que o Exército era a sua vida e que ele estava orgulhoso de ter sido comandante dessa "grande força".
"Sinto-me orgulhoso de deixar o Exército em excelentes condições", disse Musharraf na cerimônia, que foi transmitida ao vivo pela TV estatal paquistanesa, a PTV.
"Eu posso ter tirado o meu uniforme, mas meu coração e minha mente sempre estarão com vocês. Eu estarei sempre pensando em vocês", disse Musharraf.
Pressão
A maior pressão para que Musharraf deixasse o comando das Forças Armadas vinha dos Estados Unidos, importante aliado do Paquistão.
Nos últimos meses, era crescente em Washington a preocupação com a perda de popularidade de Musharraf e com a inabilidade das Forças Armadas paquistanesas de conter militantes pró-Talebã.
Como líder civil, Musharraf ainda terá grande poder, inclusive o de destituir um governo civil.
Segundo correspondentes da BBC no Paquistão, ainda não está claro quando Musharraf irá pôr fim ao estado de emergência decretado por ele no dia 3 de novembro.
As eleições parlamentares no Paquistão estão marcadas para 8 de janeiro.