27 de novembro, 2007 - 02h31 GMT (00h31 Brasília)
Bruno Garcez
De Washington
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, acredita que a participação do Brasil na conferência sobre o Oriente Médio, que tem início nesta terça-feira na cidade americana de Annapolis, representa ''um começo'' para a presença do país nos grandes processos decisórios mundiais.
''Havia um processo do qual estávamos totalmente marginalizados. É um começo. Estamos entrando. Com o tempo, a gente vai ter mais influência'', afirmou o ministro. O Brasil é um dos 50 países que estará representado na reunião e foi convidado pelo governo americano.
Os comentários de Amorim foram feitos nesta segunda-feira, durante uma entrevista coletiva na Embaixada do Brasil em Washington.
No entender do chanceler, o convite para que o Brasil e outros países em desenvolvimento, como Índia, África do Sul e México, participassem da conferência é um indicação de que a comunidade internacional constatou que ''os países em desenvolvimento podem ser ouvidos, devem ser ouvidos e têm uma contribuição a dar''.
'Apoio moral'
''Como nossa participação é totalmente nova, eu vejo como um primeiro passo para o engajamento de países como os nossos no processo de paz. Está havendo uma percepção de que é importante alargar o círculo.''
Na fase atual, a participação por parte das nações emergentes, no entender do chanceler, representa mais ''um apoio moral'', ao processo de legitimação da conferência, mas ele acredita que essa participação poderá levar a um papel de maior relevância no futuro.
''Não temos ilusões de que as idéias que apresentarmos serão absorvidas de uma hora para a outra, mas o convite significa o desejo de obter mais legitimidade. E quem quer ter mais legitimidade precisa ouvir e considerar as idéias de uma variedade de países.''
Contribuição
O chanceler afirmou que o Brasil pretende ampliar as contribuições já feitas aos territórios palestinos. Recentemente, o governo brasileiro realizou colaborações aos países da região.
A primeira delas foi para o fundo de reconstrução do Líbano, de US$ 500 mil e, em seguida, duas contribuições para os territórios palestinos de, respectivamente, US$ 500 mil e US$ 1 milhão.
''Agora, poderemos dar uma contribuição mais substancial. Mas de que forma, ainda não sei. É um assunto que, sem dúvida, terá um apoio na sociedade brasileira, porque toca as populações de origem árabe e judaica do país.''
Hamas
Amorim disse acreditar que, dependendo dos resultados firmados em Annapolis, a cisão entre o governo comandado pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e o movimento Hamas, que assumiu o controlde da Faixa de Gaza, poderá ser contornada.
''Se a conferência tiver resultados reais, acho que haveria mais condições para restabelecer o diálogo entre a Autoridade Palestina e o Hamas, mas quando e como dependerá das circunstâncias.''
Desde que o Hamas rompeu com Abbas e tomou o poder em Gaza, o movimento foi isolado pela comunidade internacional e sofreu um boicote econômico. Amorim disse que tanto ele como o Brasil não compartilham da visão de que isolar o grupo seja a melhor estratégia.