24 de novembro, 2007 - 06h11 GMT (04h11 Brasília)
O presidente do Líbano, Emile Lahoud, deixou o cargo à meia-noite desta sexta-feira no horário local (20h em Brasília) sem que o Parlamento conseguisse escolher seu sucessor.
A última de uma série de tentativas de eleger um novo presidente antes do fim do mandato de Lahoud fracassou nesta sexta-feira, depois que a oposição boicotou a votação.
Uma nova sessão foi marcada para o dia 30. Até lá, o país ficará sem presidente.
Antes de deixar o Palácio Presidencial que ocupou nos últimos nove anos, ao som do hino nacional, Lahoud determinou que o Exército assuma o controle da segurança no país. Lahoud disse ainda que existem condições no país para que seja decretado estado de emergência .
A decisão de entregar a segurança ao Exército foi rejeitada pelo governo do primeiro-ministro Fouad Siniora, apoiado pelo Ocidente. De acordo com a Constituição libanesa, o primeiro-ministro deve assumir o poder até que um novo presidente seja eleito. Lahoud, no entanto, não reconhece o governo de Siniora.
Siniora disse que a decisão de Lahoud é inconstitucional e que seu governo é legítimo e vai continuar a cumprir com suas responsabilidades.
Preocupação
O agravamento da crise política no Líbano provocou temores de que o país possa mergulhar na violência.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, pediu calma e fez um apelo para que todos os partidos políticos envolvidos no processo eleitoral busquem chegar a um acordo.
Os Estados Unidos também pediram calma e afirmaram que, de acordo com a Constituição, Siniora deveria "assumir temporariamente responsabilidades e poderes executivos até que um novo presidente seja eleito".
Segundo a correspondente da BBC em Beirute, Kim Ghattas, a crise política atual é tamanha que não há nem mesmo um consenso sobre se o país está ou não em estado de emergência.
A correspondente da BBC afirma que, pela Constituição, Lahoud não pode decretar estado de emergência no país sem o apoio do governo que ele próprio não reconhece.
Conforme Ghattas, o comandante do Exército, o general Michel Suleiman, que foi apontado por Lahoud como seu sucessor, ainda não se manifestou sobre o assunto, e a expectativa é de que a situação fique mais clara neste sábado.
De acordo com a repórter da BBC, os opositores de Lahoud comemoraram sua saída do poder. Muitos consideram o ex-presidente o último remanescente da influência síria no país.
Ghattas afirma que, por enquanto, todos concordam em pelo menos um ponto: de que é preciso evitar que o país mergulhe na violência.
Segundo a correspondente, a tensão é grande no país, com soldados nas ruas e escolas fechadas.