23 de novembro, 2007 - 16h44 GMT (14h44 Brasília)
O governo do Paquistão afirmou que a Comunidade Britânica tomou uma decisão "sem justificativa" e "não razoável" ao suspender o país do grupo, que reúne a Grã-Bretanha, suas ex-colônias e nações convidadas.
Na quinta-feira, durante uma reunião em Uganda, os ministros das Relações Exteriores das nações que integram o grupo, decidiram excluir o Paquistão até que a democracia seja restaurada no país. O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, decretou estado de exceção no país no dia 3 de novembro.
"A decisão do Grupo Ministerial de Ação da Comunidade Britânica (CMAG, na sigla em inglês) não foi razoável e não tem justificativa. O Paquistão vai analisar sua associação (à comunidade) e rever a cooperação com a organização", disse um comunicado do Ministério do Exterior paquistanês, segundo a agência de notícias oficial do país, a APP.
A declaração do ministério ainda afirma que "para evitar qualquer decisão precipitada do CMAG", o primeiro-ministro e o ministro do exterior mantiveram contato telefônico e enviaram cartas aos líderes do grupo de ação, explicando a atual realidade do Paquistão.
Alerta
Antes da suspensão determinada na quinta-feira, o país já havia sido alertado pelo grupo de que deveria pôr fim ao estado de emergência dentro desse prazo, ou teria de enfrentar a suspensão.
O Paquistão também deverá cumprir outras exigências para retornar à Comunidade Britânica, entre elas a libertação dos prisioneiros políticos detidos após a declaração do estado de emergência e a renúncia do general Musharraf ao cargo de comandante das Forças Armadas.
Nos últimos dias, o governo de Musharraf já libertou mais de 3,4 mil presos políticos que haviam sido detidos sob o estado de emergência.
"Exceto por alguns poucos, todos os que foram detidos por precaução já foram libertados. A mídia impressa nunca foi restringida e a maioria dos canais de televisão já voltou a transmitir", afirmou o comunicado desta sexta-feira do Ministério do Exterior.
O comunicado também afirma que "um governo neutro (...) vai realizar eleições livres, justas e imparciais".
"A Comissão Eleitoral do Paquistão já anunciou as eleições para Assembléias Nacionais e Provinciais para 8 de janeiro de 2008", diz o texto.
No entanto, os membros da Comunidade Britânica afirmam que essas medidas ainda não são suficientes, e que a atual situação no Paquistão "continua a representar uma séria violação dos valores fundamentais da Comunidade Britânica".
Esta é a segunda vez que o Paquistão é expulso do grupo de países. A primeira foi em 1999, quando o general Musharraf tomou o poder em um golpe. O país retornou ao grupo em 2004.