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23 de novembro, 2007 - 12h06 GMT (10h06 Brasília)

Boicote adia escolha de presidente libanês

Parlamentares no Líbano adiaram para o dia 30 a sessão que escolheria o novo presidente do país nesta sexta-feira. Na prática, isso significa que o país ficará sem presidente durante uma semana.

O mandato do atual presidente, Emil Lahoud, termina à meia-noite desta sexta-feira, e com a decisão agravam-se os temores de que o Líbano mergulhe em uma crise política ainda mais profunda.

A correspondente da BBC em Beirute Kim Ghattas afirma que a situação permanece tensa no país, e o Exército está nas ruas.

A maioria parlamentar, que tem o apoio dos governos ocidentais, chegou a se reunir para a votação, mas a sessão teve que ser adiada por falta de quórum, graças a um boicote da oposição.

De acordo com o presidente da casa, Nabih Berri, o adiamento da votação vai dar aos legisladores mais tempo para discutir um candidato de consenso.

Ministros de Relações Exteriores da França, da Itália e da Espanha, que estão no Líbano há vários dias para atuar como mediadores entre os grupos rivais, já manifestaram dúvidas sobre a possibilidade de um acordo.

O chanceler italiano, Massimo D´Alema, chegou a afirmar na quinta-feira que seria difícil conseguir eleger um novo presidente dentro do prazo.

Segundo a correspondente Kim Ghattas, o impasse aumenta o temor de que a crise no país se aprofunde, inclusive com a possibilidade de que a oposição crie um governo rival, como ocorreu durante a guerra civil.

Regras

Esta é a quarta tentativa de eleger um novo presidente no Líbano nos últimos dois meses. As tentativas anteriores fracassaram devido à rivalidade entre facções apoiadas pelo Ocidente e grupos pró-Síria.

No Líbano, o candidato precisa de uma maioria de dois terços para ser eleito presidente.

Essa regra impede que o grupo anti-Síria, que comanda o Parlamento com pequena maioria, possa garantir a vitória de seu candidato.

É, portanto, necessário um acordo com a oposição, mas até agora os grupos rivais não conseguiram escolher um candidato de consenso.

De acordo com o Artigo 62 da Constituição libanesa, caso o mandato do atual presidente termine sem que nenhum candidato seja eleito, seus poderes serão automaticamente transferidos para o governo do primeiro-ministro Fouad Siniora, que pertence à facção anti-Síria.

Lahoud, no entanto, que pertence ao grupo pró-Síria, já disse que não pretende entregar o poder a Siniora e que deverá nomear o comandante do Exército, o general Michel Suleiman, como seu sucessor temporário.

Países como Estados Unidos, Rússia, Síria e Irã acompanham com interesse o desenrolar das eleições.

Na segunda-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, telefonou para os principais líderes políticos libaneses para discutir a questão.