16 de novembro, 2007 - 11h52 GMT (09h52 Brasília)
Daniela Fernandes
De Paris
O governo francês endureceu de posição e exigiu que os sindicatos de transportes encerrem a greve no setor, que entrou no seu terceiro dia nesta sexta-feira, antes que sejam iniciadas negociações sobre suas reivindicações.
Para o governo, o acordo deve envolver negociações entre sindicatos, as estatais do setor de transportes e o Estado. Segundo o ministro do Trabalho francês, Xavier Bertrand, as autoridades esperam um gesto dos trabalhadores para seguir com as negociações.
“Não é possível ter ao mesmo tempo uma greve e negociações com as empresas envolvidas. As discussões podem durar um mês, e não é possível ter um mês de greve”, declarou o ministro.
Os ferroviários, metroviários e motoristas de ônibus protestam contra a reforma de suas aposentadorias especiais, que prevê o aumento do tempo de contribuição de 37,5 anos para 40 anos para ter direito à aposentadoria integral.
Reformas
Em 1995, uma greve de três semanas no setor de transportes públicos, também motivada pelas aposentadorias especiais, acabou obrigando o governo a retirar o projeto de lei.
Agora os sindicatos exigem que o governo esclareça alguns pontos das propostas, consideradas “vagas”, antes de pôr fim ao movimento.
O governo francês reitera que não irá abandonar o projeto de aumentar o tempo de contribuição, que seria equiparado ao dos demais funcionários públicos e ao setor privado. No entanto, as autoridades francesas estudam compensações e novos cálculos que poderiam resultar em aumentos nos valores das aposentadorias.
Apesar do aumento no número de trens e metrôs em circulação nesta sexta-feira, a situação permanece difícil para os usuários em todo o país.
Em Paris, enquanto algumas linhas funcionam quase normalmente, o tempo de espera em outras pode chegar a 50 minutos.
A SNCF, estatal do setor ferroviário, anunciou que 250 trens TGVs, de um total de 700, estão circulando nesta sexta-feira. O número de trens regionais também aumentou, mas ainda atinge somente a metade do número normal.
Em algumas estações ferroviárias, como na Gare Saint-Lazare, em Paris, grevistas ocuparam os trilhos e jogaram fogos de artifício para impedir a saída dos trens.
Os sindicalistas realizam novas assembléias nesta sexta-feira. Já se estima, porém, que a greve será mantida pelo menos durante o final de semana.