12 de novembro, 2007 - 22h15 GMT (20h15 Brasília)
Anelise Infante
De Madri
O governo espanhol disse que vai dar ajuda financeira à família da brasileira Francieli da Silva Meireles, 28 anos, assassinada com 10 facadas neste domingo, no apartamento em que morava com o namorado, em Madri.
A polícia acusa o namorado de Francieli, também brasileiro, de ter cometido o crime.
O corpo de Francieli foi encontrado por médicos do Samur (Serviço de Assistência Municipal de Urgência e Resgate) com facadas no tórax e abdômen, pancadas na cabeça e hematomas nos braços.
Depois do crime, o acusado (cujo nome não foi divulgado) tentou suicídio, jogando-se da varanda do apartamento, no segundo andar de um condomínio próximo ao aeroporto de Madri.
O brasileiro de 30 anos, nascido em São Paulo, chegou a confessar o crime aos enfermeiros do Samur, antes de desfalecer na ambulância.
“Ele dizia: 'matei minha mulher, matei minha mulher'”, afirmou o porta-voz do Samur, Emílio Benito, à BBC Brasil.
O homem continua internado em estado grave no Hospital Ramón e Cajal, em Madri.
Fontes médicas afirmaram que é possível que ele fique paraplégico, porque sofreu múltiplas fraturas, as mais severas na coluna.
Assistência
O governador interino da província (equivalente a Estado) de Madri, Alfredo Prada, disse que a família de Francieli estará amparada pela Lei de Violência de Gênero.
“Assim que os parentes dela forem localizados o governo de Madri colocará todos os meios de atenção personalizada à disposição. Nos solidarizamos e prestaremos todo tipo de ajuda”, afirmou.
Segundo a legislação espanhola, a família tem direito a assistência financeira, psicológica e jurídica.
Os valores são estabelecidos de acordo com cada caso e com os beneficiários (se há filhos ou dependentes).
"Vida normal"
O porteiro do edifício onde os brasileiros viviam havia pouco mais de 20 dias descreveu a vítima como discreta e bem vestida.
Em depoimento aos policiais, ele disse também que o casal jamais chamou a atenção e levava uma vida aparentemente normal.
O crime foi denunciado pelo vigia do condomínio, que ligou para a polícia ao ouvir os gritos da vítima pedindo socorro.
Quando a ambulância chegou, Francieli já estava morta dentro do apartamento, e o namorado dela caído no jardim, ainda consciente.
O porta-voz da polícia disse que a vítima nunca fez queixas sobre agressões, mas já está investigando se o acusado tem antecedentes por violência.