http://www.bbcbrasil.com

Denize Bacoccina
De Brasília

Brasil quer 'resultado ambicioso' em Doha, diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Brasil quer negociar e deseja um resultado ambicioso para a Rodada Doha de liberalização do comércio na OMC (Organização Mundial do Comércio).

De acordo com Amorim, a reunião do G20, que será organizada pelo Brasil em Genebra nesta quinta-feira, é uma prova disso.

"Nós queremos um resultado ambicioso e ambicioso em agricultura", afirmou o ministro, em entrevista no Itamaraty. "E nossa mensagem é uma mensagem de quem quer negociar."

A abertura para negociar, na avaliação de Amorim, está provada com a iniciativa brasileira em organizar uma reunião do G20 para coordenar a posição do grupo em caso de retomada das negociações para a conclusão de Doha.

A reunião foi decidida na semana passada. O ministro chegou a cancelar sua ida à 17ª Conferência Ibero-Americana de chefes de Estado e de governo, em Santiago do Chile, que teve a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para ficar em Brasília organizando o encontro.

Nesta segunda-feira, ele não deu detalhes sobre a proposta que será apresentada pelo Brasil aos parceiros do grupo.

Telefonema

O G20 foi criado em 2003, antes da reunião de Cancún, para coordenar a posição dos países em desenvolvimento, que temiam ser forçados a aceitar um acordo que consideravam ruim.

O grupo possui atualmente 23 integrantes, incluindo Índia, China, Argentina e África do Sul.

Segundo Amorim, se quisesse bloquear as negociações – como já foi acusado de fazer na última reunião com Estados Unidos, União Européia e Índia, em Potsdam, em junho – o Brasil teria ficado quieto.

"As coisas não andam por si mesmas", disse o ministro. "Elas só andam sob o impulso da liderança, e o Brasil convocou essa reunião para tentar impulsionar a rodada. Não uma rodada a qualquer preço, mas uma rodada com um preço justo e que atenda ao conjunto dos países."

O assunto foi tratado em uma conversa telefônica nesta segunda-feira entre o presidente Lula e o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.