11 de novembro, 2007 - 18h57 GMT (16h57 Brasília)
Dezenas de milhares de pessoas se reuniram neste domingo na pequena cidade de Chimpay, no sul da Argentina, para uma cerimônia em que a Igreja Católica beatificou um índio.
A beatificação acende a esperança de muitos argentinos de ver o índio mapuche Ceferino Namuncura, morto na Itália em 1905, tornar-se santo.
Fiéis contam que, em sua infância, o representante mapuche escapou milagrosamente de se afogar em um rio. O índio foi vencido pela tuberculose aos 18 anos, quando estudava na Europa para se tornar padre.
Desde então, sua figura vem atraindo a devoção de argentinos pobres ou descendentes de indígenas. O pedido de beatificação foi feito em 1945.
Há sete anos, investigadores da Igreja Católica atribuíram a Namuncura o milagre de curar uma de suas devotas de câncer de útero.
Nova estratégia
Fiéis acudiram de todas as partes do país para ver a cerimônia de beatificação conduzida pelo secretário de Estado do Vaticano, Tarcísio Bertone.
Ele é o segundo indígena beatificado nas Américas, depois do mexicano Juan Diego, hoje santo. Para que o índio mapuche seja canonizado, é necessária a aceitação de outro milagre seu.
A beatificação de Namuncura na pequena Chimpay, e não em Roma, faz parte da estratégia do papa Bento 16 de reaproximar a Igreja Católica de fiéis em todo o mundo.
Em maio deste ano, o próprio pontífice canonizou o brasileiro Frei Galvão em uma cerimônia para centenas de milhares de pessoas – as estimativas variam entre 700 mil e 1,2 milhão – em São Paulo.
O correspondente da BBC em Buenos Aires Daniel Schweimler disse que este domingo "é o maior dia para a Igreja Católica argentina em muitos anos".