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04 de novembro, 2007 - 13h43 GMT (11h43 Brasília)

Estado de exceção pode mudar data de eleições no Paquistão

As eleições parlamentares do Paquistão, que estavam programadas para acontecer em janeiro, podem ser transferidas, depois que o presidente Pervez Musharraf decretou estado de exceção no país.

O primeiro-ministro paquistanês, Shaukat Aziz, disse em uma entrevista coletiva para a imprensa neste domingo que o governo continua defendendo o processo democrático.

No entanto, ele disse que as datas para as eleições parlamentares podem ser mudadas e não deu uma previsão.

Desde a decretação do estado de emergência no Paquistão, no sábado, líderes de oposição foram presos.

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Aziz disse que entre 400 e 500 "prisões preventivas" foram feitas até agora e que o estado de exceção durará "o quanto for necessário".

Musharraf impôs o estado de exceção alegando que extremistas estão à solta impunemente no Paquistão e que, se nenhuma ação firme for tomada, o país estaria em perigo.

Protestos nas ruas

O dia começou calmo na capital Islamabad, com poucas pessoas nas ruas. Mas à tarde, alguns manifestantes fizeram protestos na capital.

Segundo o correspondente da BBC em Islamabad Syed Shoaib Hasan, alguns manifestantes foram presos.

Além das prisões, o governo fez restrições severas aos meios de comunicação. Todos os canais de televisão e algumas estações de rádio foram tiradas do ar – incluindo o canal de TV da BBC.

Jornais independentes puderam circular livremente.

A ex-premiê Benazir Bhutto acusou Musharraf de impor uma lei marcial sem declará-la explicitamente.

Nos últimos meses, o Paquistão, um importante aliado dos Estados Unidos na Ásia, tem sido palco de instabilidade política, com a diminuição crescente da popularidade de Musharraf – que chegou ao poder em um golpe de estado em 1999.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse que as medidas adotadas por Musharraf foram “lamentáveis” ressaltando que Washington não apóia procedimentos “extraconstitucionais”.

O ministro britânico das Relações Exteriores, David Miliband, disse que é fundamental que o Paquistão mantenha o calendário de eleições parlamentares.

'Suicídio'

A Constituição foi suspensa, a Suprema Corte do país foi cercada por tropas e o presidente do tribunal, Iftikhar Chaudhry, foi substituído.

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A decisão de Musharraf foi anunciada quando a Suprema Corte estava prestes a dar seu veredicto sobre a legalidade da candidatura do general à Presidência, depois de ele ser reeleito no pleito realizado em outubro.

O tribunal iria decidir se Musharraf poderia ter sido candidato ocupando, ao mesmo tempo, o cargo de comandante do Exército.

Segundo a correspondente da BBC no Paquistão Barbara Plett, havia a expectativa de que a Suprema Corte pudesse anunciar uma decisão desfavorável a Musharraf.

Advogados paquistaneses prometeram convocar uma greve para segunda-feira contra Musharraf.

No seu pronunciamento na televisão, o presidente disse que quer restaurar a democracia o mais rápido possível.

Na televisão, Musharraf defendeu a decisão alegando que militantes islâmicos estão agindo como se tivessem um governo próprio no país e que o governo oficial foi quase paralisado pela interferência do judiciário.

"A falta de ação neste momento seria o mesmo que o Paquistão cometer suicídio. Eu não posso permitir que este país cometa suicídio."

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