04 de novembro, 2007 - 23h18 GMT (21h18 Brasília)
Claudia Jardim
De Caracas
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, convocou neste domingo seus seguidores a “derrotar a abstenção” e alcançar uma “vitória contundente” no referendo que, em dezembro, irá decidir se a constituição do país será mudada.
"Aqui estamos outra vez começando uma nova batalha (...), o grande objetivo é aprovar a reforma constitucional. Mas não de qualquer maneira e sim de maneira contundente, para que não fique nenhuma dúvida de que a maioria disse sim", disse Chávez em Caracas, em seu primeiro ato na campanha a favor da proposta de reforma.
Ele indicou que os militantes do Partido Socialista Unido da Venezuela deverão "derrotar a abstenção, rua por rua, casa por casa” e que a “unidade revolucionária será o caminho”.
No referendo convocado para aprovar a atual constituição, em 1999, apenas 44% da população foi às urnas. Em outro referendo – o realizado em 2004 para decidir a permanência de Chávez no poder – 70% dos eleitores votaram.
"Terrorismo"
O referendo sobre as reformas será realizado em 2 de dezembro.
Entre as modificações constitucionais que estão sendo propostas está o fim do limite no número de vezes que o presidente pode ser reeleito, a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas diárias, o fim da autonomia do Banco Central, a proibição do latifúndio e outras.
Chávez qualificou de "terrorismo" incidentes ocorridos na manifestação de estudantes contra as reformas constitucionais, nesta quinta-feira.
Os estudantes pretendiam incendiar um carro policial e atearam fogo a algumas árvores do centro da cidade, e o presidente exigiu "mão firme" ao ministro de Interior e Justiça para evitar novos distúrbios.
“A partir de hoje, fiquemos de guarda. É a mesma agenda golpista e desestabilizadora de abril de 2002 (quando houve uma tentativa de afastar Chávez do poder)", disse.
"Alerto aos mais desesperados (...) que chamam ao desconhecimento das leis e um golpe militar (...) se continuam por esta via lamentarão", reiterou Chávez.
O presidente venezuelano também voltou a criticar os canais de televisão que, a seu ver, estão incitando a violência.