Marcia Carmo*
De Buenos Aires
O jornal econômico argentino El Cronista diz em sua edição desta quarta-feira que a Petrobras ofereceu cerca de US$ 900 milhões por ativos da Esso na América do Sul.
"A empresa brasileira está a ponto de comprar as operações na Argentina, no Brasil, no Chile e no Uruguai", afirma o diário, que cita fontes não-identificadas que estariam acompanhando as negociações de perto.
"As negociações estão muito avançadas e a compra seria fechada nos próximos dias", acrescenta o El Cronista.
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quarta-feira, em Londres, que a empresa "não pode confirmar, nem negar a informação".
Fontes da empresa haviam dito à BBC Brasil dias atrás que as negociações existem, mas que seus avanços e conclusões dependem de entendimento com o governo argentino.
Presença no Brasil
Segundo o El Cronista, a empresa estatal argentina Enarsa, criada no governo do presidente Néstor Kirchner, entraria no negócio assim que fossem concluídas as vendas dos ativos da companhia Exxon Mobil, dona da Esso, para a Petrobras.
No Ministério do Planejamento, responsável pela Enarsa, não havia comentários sobre a reportagem do jornal argentino até o início da tarde desta quarta-feira.
Ainda de acordo com a reportagem, a Esso possui 90 postos de gasolina no país e outros 500 tercerizados. A companhia da Exxon conta ainda com uma refinaria na localidade de Campana, na província de Buenos Aires, e ativos em outros países da região.
Mas sua presença é mais forte no Brasil, onde, de acordo com assessores da Petrobras, a empresa brasileira multiplicaria seu potencial caso a transação comercial com a Esso seja confirmada.
De acordo o El Cronista, diversos grupos petroleiros participam da disputa pela compra do pacote da Exxon na região, incluindo a estatal venezuelana PDVSA.
"Mas a Petrobras teria tido vantagem sobre os demais competidores por ter feito uma oferta global de aproximadamente US$ 900 milhões por todos os ativos que a companhia americana quer vender", publicou o jornal argentino.
O El Cronista afirma ainda que a Venezuela entrou na disputa com duas desvantagens: "a relação que não é boa entre o governo de Hugo Chávez e os americanos e a oferta de pagamento, que incluía a troca de ativos como parte do pagamento".
"Essa proposta teria incluído uma refinaria da petroleira Citgo, a marca internacional da PDVSA nos Estados Unidos", acrescenta o jornal.
* colaborou Daniel Gallas, de Londres