29 de outubro, 2007 - 13h55 GMT (11h55 Brasília)
O juiz Justice Henriques disse nesta segunda-feira aos jurados que analisam a ação da polícia de Londres na operação que terminou com a morte de Jean Charles de Menezes, que a corporação não está "acima da lei e deve ser responsabilizada por seus atos".
"Sugerir que seja errado condenar a polícia por supostamente violar regras de saúde e segurança é sugerir que a polícia está acima da lei", disse Henriques, segundo informações da agência de notícias Central Criminal Court.
"A legislação existe para proteger o público, para proteger a vida e, neste caso, para defender contra o perigo de assassinato em massa."
A polícia de Londres é acusada de violar regras de saúde e segurança do público na operação que acabou com a morte de Jean Charles no dia 22 de julho de 2005, numa estação de metrô, em Londres.
Em suas considerações finais aos jurados, que a partir desta terça-feira poderão anunciar o veredicto, Henriques reforçou que o júri "não deveria se preocupar com as conseqüências de sua decisão, mas se concentrar exclusivamente nos eventos ocorridos no dia 22 de julho de 2005".
"Não é apropriado dizer que este caso terá uma influência na maneira como o público vai encarar o trabalho da polícia no futuro. A preocupação de vocês está no passado, no que aconteceu no dia 22 de julho e em nada além disso", afirmou o juiz.
Explodir em pedaços
Ainda para Henriques, o resultado da operação da polícia poderia ter sido muito pior, se o homem que estava sendo seguido pela polícia fosse um homem-bomba.
"Este caso terminou numa grande tragédia, mas se a pessoa que entrou no ônibus fosse o Osman (Hussain Osman, que estava sendo procurado) ou alguém ligado a ele, teríamos visto uma repetição do que aconteceu em Tavistock Square", disse o juiz, em referência a um dos atentados a bomba que mataram 52 pessoas em Londres, em 2005.
"E mais, se um homem-bomba tivesse tido a oportunidade de sair do ônibus, entrar na estação de metrô de Stockwell e tivesse sido confrontado como ele foi (Jean Charles), teria tido a chance de explodir o metrô e seus passageiros em pedaços".
O juiz pediu ao júri que leve em consideração "o perigo potencial" que várias pessoas correram no decorrer da operação.
"A polícia tem obrigação de garantir a segurança do público não somente nas situações em que há um perigo de fato, mas também nas que o perigo é potencial."
Jean Charles de Menezes, eletricista brasileiro de 27 anos, foi morto com sete tiros na cabeça em um vagão do metrô depois de ter sido confundido com um suposto homem-bomba.
Ele havia sido perseguido pela polícia do momento em que saiu de casa até chegar de ônibus a uma estação de metrô, no sul da cidade.