29 de outubro, 2007 - 23h45 GMT (21h45 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
Um dia depois da eleição da primeira-dama e senadora Cristina Fernández de Kirchner, da Frente para a Vitória, para a Presidência do país, a expectativa na Argentina é de que o presidente Néstor Kirchner adotará as primeiras medidas de ajuste da economia antes da posse de sua mulher, marcada para o dia 10 de dezembro.
“O presidente Kirchner vai realizar uma série de ajustes, gradualmente, antes da chegada de Cristina à Casa Rosada”, disse o analista econômico da TV TN (Todo Notícias), o jornalista Marcelo Bonelli.
Baseando-se em fontes do governo, como afirmou, Bonelli destacou que o atual presidente deverá ajustar o preço das tarifas dos serviços públicos privatizados, como energia, para os argentinos com maior poder aquisitivo, excluindo os mais pobres desta medida.
Kirchner tentará ainda, de acordo com o comentarista, avançar ou concluir as negociações da dívida argentina com o Clube de Paris, no valor aproximado de US$ 6 bilhões, em moratória desde a histórica crise política e econômica de 2001, e ainda manterá o valor da moeda americana em três pesos.
“A primeira etapa das reformas será feita pelo presidente Kirchner e a segunda caberá a Cristina”, afirmou o comentarista de política-econômica Luis San Martin, da rádio América.
“A primeira parte é econômica e a segunda, que corresponderá a Cristina, será a conclusão destas medidas e também o fortalecimento das instituições do país”, completou.
Gasto público
A expectativa, afirmou Bonelli, inclui ainda a redução do gasto público a partir de agora.
O diretor do programa de instituições políticas do Centro de Implementação de Políticas Públicas (Cippec), o cientista político Antonio Cicioni, observou que o gasto público argentino subiu 45% este ano frente ao ano passado.
“Neste período, houve uma explosão do gasto devido, por exemplo, ao aumento das aposentadorias e dos subsídios ao setor privado, que abordaram os setores de energia, transporte e até a (produção de) batata”, afirmou Cicioni.
Para o especialista, os preços dos commodities no mercado mundial são hoje amplamente favoráveis para a Argentina.
“E se os preços internacionais, especialmente dos grãos, continuarem neste ritmo atual, os argentinos não vão perceber o ajuste do governo”, disse.
Segundo ele, o setor agrícola paga um imposto extra pelas exportações, o que ajudou o governo a ter superávit fiscal e a pagar suas contas internas.
Portanto, prevê o analista, se os preços das commodities continuarem em alta, a tendência será de que o governo da presidente eleita tenha caixa suficiente para evitar o aumento dos impostos pagos pelos argentinos em geral.
“O setor agrícola é o nosso petróleo”, disse Cicioni.