28 de outubro, 2007 - 19h10 GMT (17h10 Brasília)
Marcia Carmo
de Buenos Aires
A eleição presidencial da Argentina começou com atraso neste domingo em vários pontos do país por falta de mesários.
Muitos dos que foram convocados, não compareceram, mesmo sob a ameaça de serem presos como manda o código eleitoral.
Segundo o diretor do Comitê Nacional Eleitoral, Alejandro Tulio, pelo menos 700 voluntários compareceram para ocupar as vagas de mesários na capital federal, onde a situação foi mais crítica, e a votação se normalizou cerca de duas horas depois de aberta.
Tulio disse ainda que ocorreram incidentes isolados até o início da tarde, hora local. Um homem foi preso na localidade de Adrogue, na província de Buenos Aires, tentando votar duas vezes.
Ritmo lento
O diretor do Comitê Nacional Eleitoral mostrou-se preocupado com o ritmo da votação e em entrevista a diferentes emissoras de rádio e de televisão lembrou aos eleitores que os portões dos locais de votação serão fechados às 18h em ponto (19h em Brasília).
"Até agora votaram 30% do total de eleitores", disse ele, três horas antes do fim do pleito. Sua preocupação é que o atraso na votação – que provocou algumas filas em alguns pontos do país – retarde a apuração oficial.
Os candidatos da oposição Elisa Carrió, da Coalizão Cívica, Ricardo Lopez Murphy, da coligação Recrear-PRO, e Alberto Rodríguez Saá, da Frente Justiça, União e Liberdade, reclamaram de ter demorado a encontrar cédulas com seus nomes na hora de votar, mas Tulio afirmou que a distribuição das cédulas "não é responsabilidade da Justiça Eleitoral mas sim dos partidos, que devem distribui-las".
Na Argentina, ao entrar na cabine eleitoral, o eleitor encontra diversas pilhas com cédulas dos candidatos de diferentes partidos para votar.
Eleitores de diferentes pontos do país, como Buenos Aires e Mendoza, também reclamaram da falta de cédulas de seus candidatos em ligações para as principais emissoras de rádio do país, como Diez, Mitre e America.
Para os candidatos da oposição, como Lopez Murphy, Elisa Carrió e Roberto Lavagna, do UNA (Uma Nação Avançada) o voto eletrônico é a melhor alternativa para garantir a transparência da votação e a agilidade da apuração.
Na hora de votar, em Rio Gallegos, na província de Santa Cruz, na Patagônia, a primeira-dama e senadora, Cristina Fernández de Kirchner, líder nas pesquisas de opinião, ressaltou a importância da democracia.
"É muito importante que cada cidadão argentino possa decididir em que modelo quer viver. Eu sou de uma geração que não podia votar, por isso hoje é um dia muito importante”, disse Cristina diante das câmeras de televisão.