26 de outubro, 2007 - 09h42 GMT (07h42 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
A inflação, os preços das tarifas congeladas e a escassez energética serão os principais desafios do próximo presidente eleito da Argentina, segundo analistas. “O atual presidente postergou o que era impopular”, disse o economista Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados.
A inflação oficial nos últimos 12 meses foi de 8,6%. Esse é um dos índices mais altos da região, segundo diferentes consultorias privadas. E uma pesquisa realizada pela Sel Consultores entre empresários revelou que, para as empresas, a inflação nesse périodo foi o dobro da oficial, 16,5%.
O mesmo opinam diferentes economistas. “Num país com memória inflacionária, a indexação dos preços costuma ser lançada automaticamente”, disse o especialista Antonio Cicioni, do Cippec (Centro de Implementação de Políticas Públicas).
Para Cicioni, os argentinos ainda recordam a hiperinflação histórica registrada nos anos 80. “A inflação não é um problema simples de resolver na Argentina”, disse.
Tarifas
As tarifas dos serviços públicos privatizados, como gás, telefone e energia, estão, por sua vez, congeladas há seis anos.
Representantes das empresas pedem ajustes, alegando que, além de congeladas, as tarifas foram “pesificadas” – desvalorizadas frente ao valor do dólar em 2002.
“Acabou o soninho da administração federal. O próximo governo vai ter que adotar ajustes e aumento das tarifas, principalmente de energia”, disse o economista Daniel Artana, da consultoria FIEL.
No último inverno, diferentes empresas reclamaram de cortes de luz e houve temor de um apagão. O setor empresarial argumenta que é necessário ajustar tarifas para ampliar investimentos e evitar a falta de luz no próximo verão.
Segundo o jornal El Cronista, o setor industrial decidiu “colocar o pé no acelerador” agora para não sofrer ameças de corte de energia elétrica no verão.
De acordo com Cicioni, o setor industrial argentino usou no mês passado um índice recorde das suas máquinas (78,7% do total), num momento em que o consumo também bate altos índices, após quatro anos seguidos de crescimento econômico com taxas anuais superiores a 8%.
O temor no setor industrial, afirmam diferentes economistas, é que esse alto índice da capacidade instalada gere problemas no setor de consumo e contribua para a alta de preços.