Martín Murphy
De Londres
Um dos clichês mais repetidos na atual campanha argentina, ao menos na imprensa internacional, é a comparação entre a candidata Cristina Fernández de Kirchner e a senadora americana Hillary Clinton.
A revista americana Time chegou a apresentar Cristina como a "Hillary latina".
Na Argentina, muitos também comparam a mulher do presidente Kirchner com a lendária Evita Perón.
Mas as semelhanças com a senhora Bill Clinton parecem ser maiores.
Centro-esquerda
Tanto Cristina como Hillary conheceram seus respectivos maridos na universidade e os viram se tornarem governadores e depois presidentes.
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| Kirchner e Clinton deram total apoio às esposas candidatas |
As duas ainda compartilham idéias que poderiam ser qualificadas como sendo de centro-esquerda.
Diferenças
Mas a lista de diferenças entre elas também é extensa.
Hillary Clinton ainda nem conseguiu a nomeação de seu partido, o Democrata, para disputar as eleições presidenciais de 2008. Já Cristina Kirchner foi escolhida a dedo de um dia para o outro.
A americana, por sua vez, já está tendo que apresentar e defender em público suas idéias para conseguir apoio à sua pré-candidatura. Cristina, no entanto, é criticada por não ter ido a debate com os principais candidatos e por não ter apresentado um plano de governo nem propostas concretas.
A primeira-dama argentina representa a continuidade de um modelo que, segundo as pesquisas de opinião, tem o apoio da maioria da população.
Hillary não baseia suas propostas na continuidade do atual modelo. Pelo contrário, este pode ser um ponto a favor para ela.
O empurrãozinho do marido ex-presidente parece não estar funcionando para Hillary tão bem quanto o que Kirchner deu à mulher, e ela ainda está sendo obrigada a lutar por cada voto.
Por fim, Cristina dedicou boa parte de seu tempo a polir sua imagem internacional, enquanto Hillary vem se empenhando em conseguir o apoio local.