22 de outubro, 2007 - 12h23 GMT (09h23 Brasília)
O Partido Popular da Suíça, de direita, foi o grande vencedor da mais polêmica eleição dos últimos anos no país.
O partido, que foi acusado de realizar uma campanha eleitoral racista, ganhou 29% dos votos, conquistando 62 cadeiras, sete a mais no Conselho Nacional, a câmara baixa do Parlamento, do que nas eleições anteriores, em 2003.
Trata-se da maior percentagem dedicada a um só partido em eleições gerias suíças desde a Primeira Guerra Mundial.
O Partido Social-Democrata, de centro-esquerda, foi o principal derrotado destas eleições, ao receber 19% dos votos, 4 pontos percentuais a menos do que em 2003. Os sociais-democratas ficaram com 43 assentos. O Partido Verde foi o terceiro mais votado e elevou sua representação para 20 assentos.
A vitória do partido de direita põe fim a décadas de equilíbrio de forças no poder, em que todos os quatro partidos da coalizão governista mantinham o mesmo nível de apoio dos eleitores.
Agora, segundo analistas, o cenário político está polarizado e a longa tradição suíça do consenso parece mais fragilizada.
Imigração
A campanha eleitoral deste ano se concentrou essencialmente na questão da imigração.
O Partido Popular defende a deportação de estrangeiros que cometerem crimes. Um cartaz de campanha da organização mostrava três ovelhas brancas expulsando uma negra a chutes para fora da Suíça, o que provocou uma onda de críticas.
Analistas acreditam que o partido agora vai ver o sucesso no pleito como um mandado para seguir adiante com suas políticas polêmicas. Além da deportação de criminosos estrangeiros, eles também querem proibir a construção de minaretes e acabar com planos de incluir a Suíça na União Européia.
Para os 70% dos eleitores que não votaram no Partido Popular, e para os 20% de estrangeiros que compõem a população suíça, a preocupação é de que essas políticas provoquem uma divisão profunda no país.