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21 de outubro, 2007 - 16h06 GMT (13h06 Brasília)

Rebeldes devem depor armas ou deixar Iraque, diz líder iraquiano

O presidente do Iraque, Jalal Talabani, disse que rebeldes separatistas curdos operando no país devem depôr as armas ou deixar o território iraquiano.

Talabani, um curdo, tenta evitar uma incursão militar da Turquia em território iraquiano para combater o grupo separatista Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), atuante na região que cobre parte dos territórios turco e iraquiano.

"Pedimos ao PKK que pare os combates e se transforme de organização militar em organização civil e política", disse Talabani a jornalistas.

"Mas se eles querem continuar os combates, devem deixar o Curdistão iraquiano e não criar problemas aqui. Deveriam voltar para seus países e fazer lá o que quiserem."

O PKK, que Turquia, Estados Unidos e União Européia consideram uma organização terrorista, luta desde 1984 para transformar o Curdistão em um país separado da Turquia, em um conflito que já matou 30 mil pessoas.

Combates entre guerrilheiros do PKK e o Exército turco na noite deste sábado e manhã de domingo deixaram pelo menos 35 pessoas mortas no sudeste da Turquia, próximo à fronteira com o Iraque.

Pelo menos doze soldados turcos foram mortos em uma emboscada dos rebeldes separatistas, enquanto as mortes entre os guerrilheiros superararm 23, informou o governo em Ancara.

Horas depois, uma bomba também atribuída ao PKK explodiu em um micro-ônibus no sudeste do país e deixou uma dezena de feridos.

Incursão militar

Diante dos eventos, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que decidirá sobre uma possível incursão no Iraque com ministros e autoridades militares.

Mas ele pediu que até lá os canais de TV que pressionam por uma resposta dura mantenham a calma.

"Especialmente neste momento, espero que nossos canais de TV mantenham a calma, evitem a agitação e incentivem as pessoas a manter o bom senso", ele afirmou.

"Os passos dados no sentido de uma operação militar que cruze a fronteira foram resultado de um processo legal - o Parlamento nos deu autoridade. Tudo o que for necessário em linha com esse mandato será feito."

O premiê acrescentou: "Gostaria de destacar que não temos nenhuma preocupação em relação a como esses passos são entendidos por outros".

Nesta semana, os Estados Unidos e a União Européia, reagindo à decisão do Parlamento turco de autorizar a incursão militar, pediram calma à Turquia. Para Washington e Bruxelas, uma ofensiva poderia desestabilizar ainda mais a região.

Em posição semelhante, o Irã pediu a resolução da crise por meios diplomáticos. Já a Síria indicou que apóia uma incursão turca no Iraque.

Cerca de 3 mil rebeldes separatistas atuam na região entre a Turquia e o Iraque, onde desde a primavera as Forças Armadas turcam realizam manobras militares.

No início deste mês, 13 militares morreram em outra emboscada.