16 de outubro, 2007 - 00h44 GMT (21h44 Brasília)
As balas utilizadas pela polícia britânica para matar o brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com um homem-bomba, foram projetadas "para matar instantaneamente", disse um especialista em armamentos num tribunal em Londres nesta segunda-feira.
O julgamento, na Corte de Old Bailey, em Londres, avalia se a Polícia Metropolitana se colocou ilegalmente o público em risco durante a ação, ocorrida na estação de metrô de Stockwell, em 22 de julho de 2005.
A força nega ter violado a Lei de Segurança e Higiene no Trabalho e responde a acusações de haver cometido "falhas fundamentais" na forma como conduziu a operação que culminou na morte do brasileiro.
O especialista, que usa o pseudônimo "Andrew" para proteger seu anonimato, disse que a decisão de usar esse tipo de munição foi tomada para ajudar as operações da polícia na procura pelos responsáveis por atentados a bomba fracassados em Londres, no dia 21 de julho.
"Andrew" ressaltou ainda que os policiais foram treinados para atirar apenas "em último caso, quando os métodos convencionais tiverem falhado".
"Esta é uma bala mais eficaz no contexto de lidar com um agente suicida pois há maior possibilidade de incapacitar a pessoa com um único tiro", afirmou.
Jean Charles de Menezes, um eletricista de 27 anos, recebeu sete tiros e morreu em um vagão do metrô depois de ter sido identificado erroneamente.
Só depois deste primeiro processo é que será conduzido um inquérito sobre as circunstâncias que levaram à morte do brasileiro.
A Justiça britânica decidiu que o inquérito em relação ao caso deve ser conduzido independentemente do resultado do julgamento quanto às leis de segurança no trabalho.