08 de outubro, 2007 - 11h41 GMT (09h41 Brasília)
O uso constante de telefone celular por dez anos ou mais aumenta o risco de câncer no cérebro, segundo uma pesquisa realizada por cientistas suecos e publicado no jornal acadêmico Occupational Environmental Medicine.
O risco é ainda maior, segundo a pesquisa, no lado do cérebro onde o celular é normalmente usado.
Os pesquisadores afirmam que crianças são mais vulneráveis, já que têm um crânio mais fino e o sistema nervoso ainda em desenvolvimento.
O grupo de cientistas da Orebro University, na Suécia, avaliou os resultados de 16 estudos realizados sobre o assunto ao redor do mundo - três dos Estados Unidos, quatro da Dinamarca, um da Finlândia, cinco da Suécia, um da Grã-Bretanha, um da Alemanha e um do Japão.
Desses estudos, onze levavam em conta o uso prolongado do celular por pelo menos dez anos.
Revisão de padrões
Uma associação entre o uso do celular e o desenvolvimento de neuromas do acústico - tumores do nervo auditivo - foi encontrada em quatro estudos.
Em seis estudos, os dados indicaram uma incidência maior de câncer no cérebro.
Levando em consideração todos os estudos avaliados e a exposição à radiação no lado onde o celular é colocado, os pesquisadores suecos chegaram à conclusão de que o uso prolongado do celular aumenta em duas vezes e meia o risco de neuromas do acústico e em duas vezes o risco de glioma (tumor maligno que afeta células do cérebro).
Os cientistas suecos querem uma revisão dos padrões internacionais de controle de emissão de radiação por celulares e outras fontes.
O Mobile Manufacturers Forum (MMF) - uma associação internacional de fabricantes de equipamentos de comunicação via ondas de rádio - contestou o estudo sueco.
Segundo a organização, a pesquisa contradiz o resultado de um projeto chamado Interphone, que reúne mais de 20 grupos de especialistas que vêm revisando o assunto nos últimos dez anos em vários países.
"Cada um desses grupos concluiu que não existem provas consistentes de que existam efeitos adversos à saúde, a partir de exposição às ondas de rádio provenientes de telefones celulares e de suas estações radio-base", disse o diretor da MMF para a América Latina, Aderbal Bonturi Pereira.
Um estudo recente financiado pelo governo britânico e pela indústria de telecomunicações na Grã-Bretanha - mas com um comitê de gerenciamento independente - concluiu que o uso de telefone celular não causa danos ao cérebro no curto prazo.
Em relação ao câncer, o estudo foi mais ambíguo, dizendo que não há evidência de risco no curto prazo, mas ressaltando que a doença geralmente não emerge até dez ou 15 anos depois do evento causador.