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05 de outubro, 2007 - 08h10 GMT (05h10 Brasília)

Viúva e os cinco filhos de Pinochet são presos no Chile

A viúva e os cinco filhos do ex-ditador chileno Augusto Pinochet foram presos nesta quinta-feira, no Chile, acusados de enriquecimento ilícito.

Eles são acusados de transferir ilegalmente US$ 27 milhões (cerca de R$ 49 milhões) para bancos estrangeiros durante o período em que Pinochet esteve no poder, entre 1973 e 1990.

Juntamente com as ordens de prisão contra os familiares de Pinochet, o juiz Carlos Cerda emitiu mandados de detenção para outras 17 pessoas, 13 das quais são militares.

O responsável pelas investigações, Arturo Herrera, disse que eles atuaram na Casa Militar do Chile, de onde foram desviadas as verbas que teriam beneficiado o general Pinochet, sua família e seus aliados.

Banco Riggs

A decisão do juiz Cerda é relacionada às investigações, iniciadas em 2005, sobre as contas milionárias do ex-líder chileno em bancos estrangeiros, como o Riggs, dos Estados Unidos.

O inquérito apurou que Augusto Pinochet mantinha uma fortuna de cerca de US$ 27 milhões fora do Chile.

Mais de três mil pessoas tiveram morte confirmada ou desapareceram durante o regime militar comandado pelo general.

Atônito

Ele disse ter confiança de que a decisão será revertida após apelação.

A viúva de Pinochet, Lucia Hiriart, de 84 anos, foi internada em um hospital com uma crise de hipertensão após sua prisão.

Porém o juiz Carlos Cerda disse que havia “indicações sólidas” de que os acusados haviam “participado do mau uso de fundos públicos”.

A lista de acusados inclui a ex-secretária pessoal de Pinochet, Monica Ananias, o advogado do general, Gustavo Collao, e ao menos três generais da reserva – Jorge Ballerino, Guillermo Garín e Hector Letelier.

"Ninguém está acima da lei"

A presidente do Chile, a socialista Michelle Bachelet, disse que aguardaria a decisão da Justiça “com calma”.

“Ninguém no Chile está acima da lei”, disse ela.

Em 2004, uma investigação do Senado americano encontrou centenas de contas bancárias em nome de Pinochet e seus familiares no banco Riggs. Ele vinha sendo investigado por evasão de impostos, fraude e enriquecimento ilícito em relação a essas contas.

Pinochet teve sua imunidade retirada pela Justiça em 2000, gerando uma onda de processos que tentavam levá-lo a julgamento por abusos aos direitos humanos e evasão de impostos.

Seus advogados alegavam que seu estado de saúde era frágil e não permitiria que ele fosse julgado.