05 de outubro, 2007 - 10h56 GMT (07h56 Brasília)
Um editorial do diário econômico Wall Street Journal Europe critica nesta sexta-feira o Brasil e a Índia por supostamente esnobar a "boa vontade" dos países industrializados nas negociações de liberalização comercial da Rodada Doha.
O texto, intitulado Doha or Die ("Doha ou Morra", em tradução livre), diz que os líderes dos países emergentes "empinaram seus narizes" para a oferta dos Estados Unidos de reduzir o teto de seus subsídios agrícolas para algo entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões.
"Considerando que os EUA se retiraram da mesa de negociações no início deste ano, quando foi ventilada a oferta de US$ 17 bilhões, esta (a oferta) é uma grande concessão, talvez com potencial de mudar o jogo", afirma o editorial.
"A flexibilidade dos EUA criou boa-vontade, especialmente entre países da União Européia, muitos dos quais parecem agora prontos para chegar a um acordo. Mas os chamados países em desenvolvimento, liderados por Brasil e Índia, empinaram seus narizes."
O WSJ acusou os líderes dos países emergentes de adotar esta postura "dobrando-se aos seus eleitorados".
"Agora o tempo está se esgotando, e em breve saberemos se essas economias emergentes vão fazer sua parte para continuar a expansão global que está tirando centenas de milhões de pessoas da pobreza."
O editorial define como "crucial" o encontro que o presidente Luis Inácio Lula da Silva manterá com o premiê indiano, Manmohan Singh, em Pretória, na África do Sul, neste mês.
"É apropriado que a sorte das negociações comerciais globais seja decidida na África na próxima semana, quando os líderes de Brasil, Índia e África do Sul se reunirem em Pretória", afirma o WSJ.
"Os países em desenvolvimento podem ser os maiores ganhadores da conflituosa Rodada Doha, inclusive essas três potências econômicas regionais que agora estão ameaçando matá-la."