04 de outubro, 2007 - 10h00 GMT (07h00 Brasília)
A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional pediu a médicos e enfermeiras que não participem de execuções por injeção letal, porque ela vai contra o juramento ético da classe.
Em um relatório publicado nesta quinta-feira, a Anistia afirma que o coquetel de remédios usados nas injeções não necessariamente garante uma morte rápida e indolor e, muitas vezes, causa "dor excruciante e sofrimento mental extremo".
O método de execução é o mais usados nos Estados Unidos e vem crescendo na China.
A Anistia Internacional é contra a pena de morte em todas as formas.
Neste relatório, Execução por injeção letal - um quarto de século de envenenamento pelo Estado, a organização afirma que os governos não deveriam colocar médicos e enfermeiras na posição de quebrar seu juramento ético.
"Profissionais médicos são terinados para trabalhar pelo bem-estar dos pacientes, não para participar em execuções ordenadas pelo Estado", disse Jim Welsh, coordenador de saúde e direitos humanos da AI.
O relatório também questiona o coquetel de remédios usado mais comumente nas injeções.
O coquetel consiste em uma droga que atua como anestésico, induzindo a um sono profundo, outra que paralisa os músculos e uma terceira, que provoca um ataque cardíaco.
Segundo o relatório, o Texas, o Estado americano que mais utiliza o método, proíbe o uso das mesmas drogas para o sacrifício de cães e gatos, por causa do risco da dor.
De acordo com a AI, o efeito do anestésico pode acabar antes da parada cardíaca, causando extrema dor e estresse mental.
Mas por causa da paralisia muscular, os pacientes se entram em uma "camisa-de-força mental" e não conseguem alertar para o fato.
A Anistia ainda cita casos de prisioneiros americanos que sofreram por cerca de meia hora, por conta de problemas na hora da execução.
Vans
O grupo afirma ainda que o uso das injeções letais também vem crescendo na China, onde o governo não divulga o número de execuções. Acredita-se, no entanto, que o país seja o maior executor de penas de morte do mundo.
O país vem adotando o método de "câmara de morte móvel", em que os condenados são executados nos fundos de uma van, sem janelas, por injeção letal.
O debate sobre as injeções letais também vem crescendo nos Estados Unidos. Na semana passada, a Suprema Corte concordou em ouvir o caso de dois condenados que alegam que o método viola a proibição de punição cruel e incomum, contida na Constituição Americana.
A decisão da corte poderá trazer orientações mais amplas sobre o método de execução, que alguns Estados suspenderam depois de reclamações de que ele era cruel e ineficiente.
Andrea Keilen, de uma firma de advogados que representa cerca de 150 prisioneiros no corredor da morte no Texas, afirma que não há como avaliar a competência daqueles que realizam as execuções no Estado.
"Não temos nenhuma idéia do que está acontecendo no Texas, porque tudo é feito em segredo."