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04 de outubro, 2007 - 19h30 GMT (16h30 Brasília)

Jobim diz que alerta de entidade internacional é 'jogo político'

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, classificou de "jogo político" a avaliação do presidente da Federação Internacional de Controladores de Tráfego Aéreo (Ifatca), Marc Baumgartner, de que "é uma questão de tempo" até que outro acidente aéreo aconteça no Brasil.

"Não podemos atribuir isenção alguma a este tipo de manifestação. Elas têm um objetivo político de criar um ambiente para resolver questões salariais", afirmou o ministro, em entrevista à Radiobras e suas emissoras associadas, nesta quinta-feira.

Jobim respondia à pergunta de um jornalista sobre a reportagem da BBC Brasil em que o presidente da Ifacta critica a resposta das autoridades brasileiras à crise aérea.

Leia a reportagem da BBC Brasil

Baumgartner, que se reuniu com outros dirigentes da federação em Washington, disse que, desde os acidentes da Gol, no ano passado, e da TAM, neste ano, foi investida "muita energia" para punir os controladores e nenhuma para corrigir as falhas do sistema aéreo.

'Percepção'

Jobim, no entanto, insistiu que o sistema de aviação brasileiro é hoje seguro porque a segurança tem sido prioridade nas ações do governo na administração do setor.

"Temos a segurança do sistema, mas ainda não conseguimos ter a percepção das pessoas de que o sistema é seguro", afirmou Jobim. "Essa percepção se dará pela regularidade, pontualidade e pela eficácia do sistema."

Na entrevista à BBC Brasil, Baumgartner criticou a Força Aérea Brasileira (FAB) por atribuir aos controladores toda a responsabilidade pelo acidente com o Boeing da Gol, que caiu em Mato Grosso em setembro do ano passado, matando 154 pessoas, depois de se chocar com um jato Legacy.

Um Inquérito Policial Militar (IPM), instaurado pela FAB na semana passada, indiciou cinco controladores, todos eles militares, por supostos erros que teriam levado ao desastre.

O relatório aponta 11 erros dos controladores e falhas nos equipamentos que teriam levado o avião a se chocar com o Legacy e cair.

Além da autorização incompleta para a decolagem do Legacy, os operadores teriam cometido uma série de falhas de comunicação. Entre elas, teriam trocado informações incorretas a respeito da altitude em que o Legacy voava e deixado de trocar comunicação com os pilotos do Legacy por um longo período, no qual nem os controladores nem os pilotos observaram os procedimentos necessários.

O IPM foi acolhido pelo Ministério Público Militar, mas a denúncia foi rejeitada pela juíza Zilah Maria Petersen, da 11ª Circunscrição Judiciária Militar, em Brasília, que a considerou "inepta" por não especificar as regras de conduta militar violadas pelos controladores.