02 de outubro, 2007 - 23h14 GMT (20h14 Brasília)
Marcia Carmo
Enviada a Chivilcoy (Argentina)
Um dia antes de desembarcar em Brasília, onde se reunirá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira, a candidata à Presidência argentina, Cristina Fernández de Kirchner, disse que “o Brasil é o principal sócio da Argentina”.
Segundo ela, o Brasil é também o principal parceiro de seu país dentro do Mercosul. “E você acha pouco?”, completou.
A primeira-dama e senadora fez estas únicas declarações à imprensa brasileira ao final de um comício que realizou no município de Chivilcoy, na província de Buenos Aires, a duas horas e meia da capital argentina.
Pouco antes, Cristina (como ela prefere ser chamada) e o marido, o presidente Néstor Kirchner, inauguraram a fábrica brasileira Paquetá, no mesmo município.
A fábrica emprega 600 pessoas, e a meta para 2011 é chegar a 2 mil funcionários, com investimentos de US$ 20 milhões, segundo representantes da empresa.
Despedida
No comício, próximo à fábrica, Kirchner fez um rápido discurso de despedida e deu a palavra à mulher, favorita para vencer as eleições de 28 de outubro, de acordo com diferentes pesquisas de opinião.
“Quero dizer de coração, obrigada e até logo. Estou muito contente, mas vou me fazer de apresentador. Sei que ela não vai gostar. Mas quero chamar a Cristina, que vai ser presidente de todos os argentinos.”
Depois de dizer ao presidente, em tom de brincadeira, “te mato”, a candidata discursou, com críticas à oposição.
No palanque, acompanhada por outras autoridades do atual governo, ela criticou a oposição: “Muitos diziam que (a recuperação econômica) era só um verãozinho. Mas o tempo mostrou que não”.
Mudanças
Cristina disse ainda que, na sua gestão, ela pretende “aprofundar” as mudanças realizadas por Kirchner no país, com mais trabalho, saúde e educação – “com mais Argentina”.
“Estamos construindo, entre todos, um país diferente”, afirmou. Segundo ela, o objetivo é que os argentinos tenham “mais anos felizes”.
A presidenciável recordou a histórica crise econômica de 2001 e a atual expansão econômica – com 50 meses de crescimento recorde.
“Voltamos a construir a confiança e a auto-estima dos argentinos. E fizemos isto juntos. E juntos somos invencíveis”, disse.
Cristina elogiou a gestão do marido, com quem, disse, os argentinos voltaram a ter “confiança na própria força e nas idéias”.
Nesta quarta-feira, Cristina deverá almoçar com o presidente Lula e depois se reunirá com empresários brasileiros com investimentos no país vizinho.