30 de setembro, 2007 - 12h55 GMT (09h55 Brasília)
Um ataque contra uma base da União Africana (UA) na região sudanesa de Darfur deixou pelo menos dez soldados mortos e sete feridos, no pior episódio para a missão de paz desde sua chegada em 2003.
Fontes na região disseram à BBC que 30 veículos de milícias rebeldes invadiram a base e que 50 soldados estão desaparecidos.
Os invasores teriam levado as armas e veículos que conseguiram e ateado fogo ao que ficou para trás.
Um porta-voz do movimento rebelde Justiça e Igualdade disse à BBC que a invasão foi liderada por três dissidentes de seu grupo e outros militantes que se separaram do Exército de Libertação do Sudão.
O representante da União Africana e das Nações Unidas Rodolpho Adada disse estar chocado e horrorizado com o "terrível e deliberado" ataque contra a base na cidade de Haskanita.
"Não foi apenas uma violação flagrante do cessar-fogo, mas um crime inescrupuloso que quebra todas as convenções e normas de paz internacionais", disse Adada.
Cerca de 7 mil soldados da União Africana participam da missão em Darfur e têm enfrentado dificuldades para proteger a população civil.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas já aprovou o envio de uma missão de paz de 26 mil soldados para reforçar o contingente da UA.
Pelo menos 200 mil pessoas foram mortas e cerca de 2 milhões tiveram de deixar suas casas desde o início do conflito entre o governo sudanês – acusado de apoiar milícias muçulmanas, chamadas Janjaweed, que atacaram vilarejos de Darfur – e rebeldes contrários ao governo de Cartum.
Negociação de paz
Analistas dizem que o ataque acontece num momento particularmente infeliz, já que as Nações Unidas e a União Africana estavam em negociações para pavimentar o caminho para conversas de paz entre governo e rebeldes.
Agora, segundo os especialistas, as perspectivas não são animadoras.
A invasão da base da UA aconteceu enquanto o arcebispo sul-africano Desmond Tutu se dirigia ao Sudão com uma delegação de ex-políticos, ex-diplomatas e defensores de direitos humanos para discutir a paz no país.
O grupo, independente de qualquer governo ou organização internacional, foi criado por sugestão de Nelson Mandela para tentar encontrar soluções para os principais problemas do mundo, como o HIV-Aids, a pobreza e os conflitos.
A visita ao Sudão é a primeira missão do grupo, que deve se reunir com o presidente Omar al-Bashir em Cartum e com líderes comunitários e refugiados em Darfur.