28 de setembro, 2007 - 21h58 GMT (18h58 Brasília)
Daniela Fernandes
De Paris
O francês Dominique Strauss-Kahn, 58 anos, eleito nesta sexta-feira para ser o novo diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, assumirá o cargo no final de outubro com inúmeros desafios pela frente.
A instituição passa por uma forte crise, ligada a problemas de credibilidade, financeiros e pressões dos países emergentes, entre eles o Brasil, que querem ter um peso maior na organização.
“Estou determinado a iniciar rapidamente as reformas de que o FMI necessita. O que está em jogo hoje é a própria existência do Fundo como instituição que deve garantir a estabilidade financeira no mundo”, declarou o socialista Strauss-Kahn, que foi ministro da Economia da França entre 1997 e 1999.
Ele também reconheceu que “será uma tarefa difícil reconstruir a importância e a legitimidade do FMI”.
Sistema de cotas
Durante sua campanha para assumir a direção do Fundo, Strauss-Kahn prometeu aos países emergentes que eles teriam melhor representatividade na organização e assegurou que não seria um dirigente “dos ricos contra os pobres”.
Strauss-Kahn prometeu reformar o sistema de cotas, que garante atualmente aos países ricos um maior poder de decisão no FMI, e também mudar as regras da votação para decisões importantes.
Os países desenvolvidos representam hoje 69% dos votos do Fundo. Apenas os Estados Unidos possuem 16,79% dos votos e dispõem de um direito de veto para as decisões mais importantes.
Criado em 1944, antes do final da Segunda Guerra, o Fundo é considerado hoje um organismo que não reflete mais as mudanças ocorridas na economia mundial.
O FMI reúne 185 países e, pelas regras atuais, a Bélgica, por exemplo, tem maior poder decisório do que a Índia ou a China, quinta maior economia do mundo.
Para Strauss-Kahn, a legitimidade e a credibilidade do Fundo dependem de um melhor equilíbrio de poderes entre os países.
Missões
Outro desafio será o de redefinir as missões da instituição, cuja atuação foi bastante criticada durante a crise financeira no Sudeste Asiático, em 1997, e na Argentina, em 2001.
Analistas estimam que o Fundo não soube adaptar sua ação à atual globalização econômica.
O Fundo também perdeu influência, já que boa parte dos antigos países devedores, como Brasil, China e Rússia não recorrem mais à ajuda do FMI.
Além de limitar a ação do Fundo nessa área, a diminuição importante no números de empréstimos concedidos complicou a situação financeira do próprio FMI.
O Fundo Monetário obtém sua receita com os juros dos empréstimos concedidos. O orçamento 2006-2007 do FMI fechou com um déficit de US$ 105 milhões.
O ex-ministro francês da Economia deverá, portanto, encontrar novas fontes de recursos para o FMI.
O espanhol Rodrigo de Rato, que deixará o cargo no final de outubro por razões pessoais, havia sugerido que o Fundo vendesse parte de seu estoque em ouro e o aplicasse em ativos ou passasse a cobrar pela assistência técnica dada aos países membros, serviço hoje gratuito.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a eleição do socialista Strauss-Kahn para a direção do FMI “é uma grande vitória para a diplomacia francesa”.