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27 de setembro, 2007 - 18h36 GMT (15h36 Brasília)

Marcia Carmo
De Buenos Aires

Oposição vê 'perigo' em visita de líder do Irã à Bolívia

Políticos da oposição boliviana criticaram a visita do presidente do Irã ao país e disseram que a presença do líder iraniano na Bolívia coloca a segurança do país e da região "em perigo".

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, desembarcou nesta quinta-feira em La Paz para uma polêmica visita relâmpago, de cinco horas.

Ahmadinejad assinará diferentes acordos de cooperação e deve confirmar investimentos de seu governo em áreas como mineração, exploração de gás, produção de leite e na indústria petroquímica.

A oposição da Bolívia acusa o presidente Evo Morales de atender orientações do presidente venezuelano, Hugo Chávez, para que recebesse Ahmadinejad.

"Chávez é o único que sai ganhando com tudo isso. Com essa visita, ele mostra a seus amiguinhos iranianos que é ele quem manda na Bolívia", afirmou o ex-presidente e opositor, Jorge Quiroga, do partido de direita Podemos.

Relações

Uma assessora do chanceler boliviano, David Choquehuanca, disse que a visita se encaixa em uma estratégia diplomática do país.

"A Bolívia está decidida a manter relações com maior número possível de países", disse.

Para o porta-voz da Presidência da Bolívia, Alex Contreras, não existe "nada de mal" na aproximação diplomática do país com o governo iraniano de Ahmadinejad.

"Na região, somente Bolívia e Paraguai não têm relações diplomáticas com o Irã", disse. Contreras lembrou que Brasil e Argentina também têm relações com o país.

Rumo a Caracas

Depois de La Paz, Ahmadinejad embarca para Caracas, na Venezuela, onde se encontrará com Chávez.

A visita do presidente iraniano aos dois países ocorre em uma semana em que ele esteve no centro das atenções durante a Assembléia Geral das Nações Unidas, realizada em Nova York.

Chávez preferiu não comparecer à Assembléia, onde no ano passado chamou o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, de "diabo".

Na quarta-feira, Morales disse, na ONU, que os embaixadores dos Estados Unidos "já não indicam mais os ministros do governo boliviano".

O presidente boliviano também propôs que a sede da ONU mude de endereço e defendeu o líder cubano Fidel Castro, que tinha recebido críticas indiretas de Bush.

Durante o pronunciamento do presidente americano, a comitiva cubana abandonou a sala da Assembléia Geral das Nações Unidas.