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26 de setembro, 2007 - 06h57 GMT (03h57 Brasília)

Denize Bacoccina
De Brasília

Para deputados, governo não trabalha por Venezuela no Mercosul

O governo não tem trabalhado pela aprovação do projeto que autoriza a entrada da Venezuela no Mercosul, segundo deputados governistas e da oposição ouvidos pela BBC Brasil.

O projeto enviado pelo Executivo está na pauta da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados desta quarta-feira, mas deputados acreditam que a votação pode ser adiada, por causa da sessão extraordinária no Plenário para examinar a CPMF.

"Está por nossa conta na Câmara", disse o relator do projeto, deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que deu parecer favorável à aprovação.

"O Executivo não faz isso", respondeu ao ser questionado se o Executivo estava fazendo gestões junto aos parlamentares para acelerar a votação.

O presidente da comissão, Vieira da Cunha (PDT-RS), disse não ter recebido nenhum pedido especial do governo para colocar o assunto logo em votação.

Oposicionista, o deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) é outro que diz não ver empenho do governo por uma votação rápida do projeto.

"O governo está empenhado em aprovar a CPMF. Acho que ele não vai gastar chumbo com outra coisa", afirmou Madeira, que na semana passada pediu vistas do projeto, o que adiou a votação para esta semana.

Críticas

Na semana passada, sem citar diretamemte o Congresso brasileiro, o presidente da Venezuela criticou o que vê como demora na aprovação da entrada do país no Mercosul.

"Estou seguro que é a mão do império, a mão norte-americana que está tentando evitar que a Venezuela ingresse no Mercosul", afirmou Chávez a jornalistas ao chegar a Manaus, onde se reuniu com o presidente Lula na quinta-feira.

"Não podemos impor o tempo a ninguém. Mas a Venezuela tem a liberdade de esperar até um limite digno. Não vamos nos arrastar nem implorar a ninguém", disse Chávez.

O ingresso da Venezuela no Mercosul como membro pleno ainda depende da aprovação do Congresso do Brasil e também do Paraguai. O Congresso da Argentina e o do Uruguai já aprovaram a entrada do país no bloco.

Calendário

No mesmo dia das críticas de Chávez, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o Executivo não pode impor sua agenda ao Congresso, mas que a expectativa do governo é de que votação seja concluída até novembro – além de duas comissões e do plenário da Câmara, o projeto tem que ser votado em duas comissões no Senado.

Deputados governistas acreditam que este calendário é possível, mas a oposição duvida.

"Novembro, acho difícil", diz o deputado Arnaldo Madeira.

O deputado Dr. Rosinha considera possível a votação neste período, porque depois da aprovação na comissão o projeto vira um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) e passa a tramitar em regime de urgência.

"O regimento permite, só depende do esforço político", afirmou.