26 de setembro, 2007 - 03h42 GMT (00h42 Brasília)
Claudia Jardim
De Caracas
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não descartou a possibilidade de aceitar a ajuda do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, nas negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para a libertação de reféns.
“Neste caso, não há cores políticas. Tomara que Bush se coloque à disposição para ajudar”, afirmou Chávez na noite desta terça-feira, durante um encontro em Caracas com familiares de americanos e colombianos seqüestrados pelo grupo guerrilheiro.
Chávez vem atuando como mediador entre o governo da Colômbia e as Farc na busca por um acordo humanitário, que permita que 45 reféns sejam soltos em troca da libertação de cerca de 500 integrantes do grupo guerrilheiro que estão presos.
A reunião desta terça-feira foi acompanhada pela senadora colombiana Piedad Córdoba, facilitadora do acordo humanitário, e pelos sacerdotes Darío Echeverri e Luis Augusto Castro, da Comissão de Paz e Conciliação da Colômbia.
Uribe e Sarkozy
A proposta de incluir os Estados Unidos nas negociações havia sido anunciada à tarde pelo presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que participou da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.
Uribe se reuniu em Nova York com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, interessado na libertação da ex-candidata à Presidência da Colômbia Ingrid Betancourt, que tem nacionalidade colombiana e francesa.
Os dois líderes concordaram em solicitar ao governo dos Estados Unidos que uma comissão americana acompanhe o encontro entre Chávez e o representante das Farc, Raúl Reyes, previsto para o dia 8 de outubro.
Antes do encontro com o representante das Farc, Chávez deverá se reunir com Uribe, em 1º de outubro.
O presidente venezuelano afirmou que tem algumas propostas para solucionar o impasse, mas não revelou quais seriam as medidas a tomar.
“Já apresentei algumas propostas a Uribe e agora quero conversar com as Farc antes de anunciar as propostas (...). Que venha o momento da paz e da reconciliação. Não abandonarei essa luta”, disse Chávez.
Impasses
As negociações para o acordo humanitário estão travadas.
As Farc exigem que Uribe ordene uma retirada militar em determinada zona do território colombiano para garantir a segurança dos rebeldes no momento da troca de prisioneiros.
Outra exigência é que a troca seja de “todos por todos”, ou seja, todos os reféns por todos os guerrilheiros detidos pelo Exército.
O governo colombiano não aceita desmilitarizar nenhuma região e exige que os rebeldes libertados das prisões não regressem à atividade guerrilheira.
“São impasses que vivemos há pelo menos seis anos, por isso estamos ainda onde estamos”, disse o sacerdote Luis Augusto Castro.
Apesar da negativa do presidente colombiano, Chávez reafirmou sua vontade de conversar com o principal líder das Farc, Manuel Marulanda, “para que se possa estabelecer um acordo”.
Uribe tem negado a solicitação de Chávez por temer que as Farc “ganhem terreno político” com as negociações.