25 de setembro, 2007 - 21h52 GMT (18h52 Brasília)
Marcia Carmo
De Buenos Aires
Dois analistas políticos argentinos disseram nesta terça-feira, em uma coletiva em Buenos Aires, que o governo do presidente Néstor Kirchner quer evitar o crescimento da Petrobras no país para “favorecer” a Venezuela.
Eles comentaram a decisão da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do governo argentino, que decidiu na segunda-feira fechar de “forma parcial e preventiva” diferentes setores de um depósito de combustível da Petrobras na Província de Buenos Aires.
A decisão foi tomada quando a imprensa argentina informa que a Petrobras “disputa” com a estatal ENARSA a compra dos postos de gasolina da Esso no país.
A ENARSA entraria no negócio numa parceria com a petroleira venezuelana PDVSA, como informaram os jornais argentinos.
“A oposição do governo argentino a que a Petrobras compre a Esso é um fato político concreto”, disse Rosendo Fraga, da consultoria Nova Maioria. “E isso deixa claro que a Argentina, nos assuntos concretos e de seu interesse, está jogando a favor e com a Venezuela”, completou.
Para Graciela Römer, da Römer e Associados, a Argentina depende hoje dos “petrodólares” do governo do presidente venezuelano Hugo Chávez. “E o governo Kirchner fará de tudo para manter esta boa relação com Chávez.”
Comunicado
Segundo a agência oficial de noticias argentina, a Telam, a decisão da Secretaria argentina contra a Petrobras foi tomada por causa de "derramamentos de hidrocarbonetos e perdas visíveis em tanques de depósito".
De acordo com a agência, em "sucessivas inspeções" foram encontrados dez tanques de aproximadamente 20 mil litros cada um "sobre chão natural", além de 75 outros tambores que também estariam em situação irregular.
A Petrobras divulgou um comunicado, nesta terça-feira, limitando-se a informar que está garantido o abastecimento no mercado argentino e que está intensificando o plano de controle “periódico” no setor para resolver “o quanto antes” as observações das autoridades argentinas.
Para Rosendo Fraga, o episódio com a empresa brasileira confirma que “nos últimos meses” a Argentina está “mais perto” da Venezuela do que do Brasil. Na sua opinião, nos quatro anos e meio da gestão Kirchner, a Argentina manteve um “pêndulo” entre os dois países.
“Mas na hora das decisões concretas, a Argentina joga com a Venezuela”, completou, citando como exemplos as discussões sobre o Banco do Sul e do Gasoduto do Sul, além dos biocombustíveis.
“Hoje, a relação da Argentina com a Venezuela é menos ideológica e mais pragmática. Afinal, a Argentina depende dos petrodólares do governo Chávez”, disse Römer.
Desde que decidiu rejeitar as receitas do FMI (Fundo Monetário Internacional), recordam diferentes economistas do país, a Argentina vem “dependendo” da compra de títulos públicos realizadas pelo governo Chávez.